John Frusciante – WOW #4

“Frusciante” é um nome de origem italiana, “ante” chega de sufixo dando um estado à coisa de estar ou fazer o que o início da palavra sugere, como em “viajante”, um particípio presente. O que o cara faz, ou é, tem algo de frusciare, sussurrar, farfalhar. Coincidência ou não, influência ou não, os nomes desabotoam peitos. Viagem ou não, John Frusciante entrega em som suavemente o que é feito de delicadeza ao mais desesperado, elétrico, intenso ou rompante sentimento. São ondas envolventes até no que há de mais delirante e perturbador. Tudo faz sentido quando é sentido. É simples como parece.

Essa deve ser uma das maiores paixões da minha vida, deve ser uma das coisas que eu sou mais grata por existir, porque na saúde ou na doença, na alegria ou na tristeza, tudo o que ouço molda-se em abraço ou camisa-de-força, toma a forma do que eu preciso sem eu ter a consciência de qual necessidade seria essa. Encaixa, desperta, acalma, apoia, reflete. Faço das minhas palavras perdidas a escultura de som e silêncio que vem acompanhada por esse nome, John Frusciante.

Existem alguns motivos pra esse WOW, além do fato de eu ser apaixonada pela música dessa criatura. Primeiro, esse é um depoimento lindo sobre música, concedido à equipe do documentário The Heart is a Drum Machine (que também vale muito a pena ser assistido, façam a nota mental), e não fala só de música, fala de muito mais, e na minha opinião, esse “mais” diz respeito a todos, vejo como basicamente a relação do indivíduo com o mundo e consigo mesmo. Em segundo lugar, esses 45 minutos de falatório conseguem tocar em pontos os quais foram esclarecedores para mim nos últimos anos da minha vida. E eu não sei nem expressar o tamanho da falta de solidão ao receber certas conclusões já entranhadas em mim pela boca de outra pessoa, ainda mais essa outra pessoa sendo alguém que me causa já tamanha sensação de pertencer a esse mesmo mundo que tanto já senti não ser o lugar que eu deveria estar. É muito do que eu gostaria de falar a tantas pessoas, é muito do que eu falo para minha própria cabeça. Acredito que esses dois pontos bastam, mas adiciono: esse depoimento tem o poder de te deixar suave, mesmo que excesso de análise te perturbe. Tudo faz sentido. Só isso.

Pra facilitar, transcrevi a entrevista completa em português. Segue abaixo:

“Eu acho que a força que nos criou se expressa através da nossa existência. Eu não acredito que uma ideia musical começa no seu cérebro, acredito que comece em um lugar antes disso, um lugar o qual não temos qualquer contato direto. E acredito que tudo o que fazemos, tudo o que criamos, é a natureza se expressando, da mesma forma que uma flor cresce do chão ou uma árvore, é a natureza se expressando. Você pode dizer que uma árvore se expressa pela forma como seus galhos crescem, mas é a força que direciona a natureza. A coisa visível, aparente, aos nossos sentidos. Mas isso não nos mostra a fonte, a razão disso se perpetuar.

Música é uma coisa inefável, que eu não acredito que palavras realmente consigam nos dar um verdadeiro entendimento a respeito. Somos capazes de fazer contato com essa corrente, essa força criativa do universo, uma certa fonte, deus, ou como queira chamar. Somos capazes de nos conectar com essa inteligência, Continuar lendo

Chupar Planetas – WOW #3

A VintageConfections tornou possível. Pra quem sempre quis chupar Vênus até o talo, quebrar Júpiter com os próprios dentes, dar uma lambidinha em Marte – como eu (oi?) –  vai gostar de ver esses pirulitos ou descobrir em si essa vontade esdrúxula.

Os pirunetas (HAHAHAHA) ou planelitos estão disponíveis pra compra na loja da Vintage Confections no ETSY aqui. O pacote inclui os oito planetas, o sol e o pioneiro do nanismo planetário Plutão, com glitter comestível estrelando as esferas cósmicas que podem vir nos sabores morango ou algodão doce. Quem adquirir, favor separar um de presente pra mim. Obrigada 🙂

Boa semana a todos!

Dimensões do Diálogo (Jan Švankmajer) – WOW #2

Essa madrugada fiquei sabendo da existência de JAN ŠVANKMAJER, completando 78 anos amanhã. Ou seja, no melhor estilo publicidade varejão: o aniversário é dele mas o presente é nosso. Tcheco, cineasta, surrealista, não importa a ordem. O que importa é que o pouco do que assisti de Švankmajer me fez entrar em combustão. Em suma e diretamente falando: eu  adoro animação, adoro stop-motion, adoro surrealismo, adoro análises comportamentais e de comunicação humana, adoro humor azedo, adoro criticismo alfinetoso, adoro a estética bizarra, grotesca ou estranha, adoro a violência artística, adoro um quê de decadência… Bom, por isso e mais, acho que já posso dizer que adoro o trabalho deste, agora, senhor, que na década de 60 fazia filmes que quaisquer olhos acostumados com a tecnologia contemporânea ficam sem nenhum desfalque de entretenimento, nenhuma cabeça que se viu aprovando meu gosto da lista vai se arrepender e nenhum passante sem destino certo vai considerar ter pego o pior caminho. 😀 Eu gostei desse tanto o que vi e quero devorar essa filmografia (que – a título de curiosidade – tem longas baseados em Alice no País das Maravilhas, Fausto e contos de Edgar Allan Poe) pra ontem. Pra hoje, fiquemos com o curta Možnosti dialogu, Dimensões do Diálogo, que é dividido em três partes: Conversa de Fato, Argumentação Passional e Diálogo Exaustivo (tradução livre). Teria muita coisa pra falar de cada um, inspira um punhado de interpretações e um bocado de assunto pra se tagarelar, mas não vou estragar a graça e pra concluir adiciono só mais duas palavras: genial e atemporal.

Everynone – WOW #1

Segunda-feira é o dia desgranhento, retomada de pautas e obrigações para a maioria dos seres humanos e humanóides. E mesmo quem não segue os horários comerciais à risca como eu se guia pelas semanas que passam, o início de uma nova e mais uma promessa de dieta, começar a academia, retomar aquela leitura depois do expediente, dentre outros planos que parecem combinar como preto com branco ao primeiro dia de tudo-funcionando-normal da semana. Segunda-feira é como o ano-novo, só que levada com menor seriedade, menos esperança renovada e muito mais rabugice. É que toda semana tem uma.

E é por isso que aqui temos uma estreia. Daqui pra frente segunda-feira é dia de WOW no Raios & Bombas. WOW é a interjeição de surpresa/admiração, não World of Warcraft, e é o nome de uma injeção que eu criei, na minha cabeça. Essa injeção pode também responder à alcunha de antihumor de segunda, às vezes, como também pode ser sentida, se você quiser e se assim for sentido, de empurrãozinho pras manivelas das engrenagens mentais começarem a rodar. Isto quer dizer que: segunda vai ser dia de coisa legal pra ver. E eu devo acabar jogando uma ideia pelo meio, no início ou no fim, afinal de contas… eu tenho motivos pra querer compartilhar cada coisa.

Pra começar com o WOW tem que ser o que me deu a ideia de começar com o WOW. Assistindo os vídeos desses caras atingi tanto inúmeras SPS (sensações por segundo) quanto cada um me envolveu completamente nos mais diversos tons de mantos. Me diverti, me emocionei, dei gargalhada, senti aquele arzinho dentro do peito, e um vagão desenfreado pelo esôfago, me conectei e foi inspirador. Pensei: “Isso é muito legal, todo mundo deveria assistir. (…) Pô, eu sempre acabo vendo coisas que me tiram a noção de tempo e espaço, talvez fosse uma boa compartilhar pelo blog. (…) Também seria legal escrever a respeito dessas coisas…”. BLING!

EVERYNONE se denomina como um grupo de cineastas estadunidenses composto por Will Hoffman, Daniel Mercadante  e Julius Metoyer III, e eles basicamente fazem o que dizem que fazem: videos sobre todo mundo.

O trampo da Everynone é costurado em comportamento humano, a agulha sendo noções associativas múltiplas e os pontos esbanjam precisão. É uma brincadeira de unir numa única trama semântica – e rimar – ações, emoções, objetos, sons e formas em uma corrente intensa que faz todo o sentido do mundo pra quem assiste, por mais imprevisíveis que sejam algumas conexões (um dos pontos que fazem algo criativo – ou não?). É tudo muito claro e de se identificar, porque tudo está ao nosso redor, mas de repente se comunicam entre si talvez pela primeira vez em frente aos nossos olhos. É o famoso simples colocado em um ângulo atraente, entretém, toca e faz pensar, causa borbulhinhas. Os títulos são, com poucas exceções, a única forma verbal nas produções mais recentes e ponta-pé inicial suficiente pro que vem a seguir, não simplesmente suficientes, mas determinantes. Além da mania de retratar a vida na continuidade e/ou ciclo que a ela é resguardado, o foco tende ao detalhe e os filmes como obra única dão a sensação de coletânea de coletâneas. Inclusive, eles tem vídeos só com cenas retiradas do YouTube: a compilação de risadas Laughs e um remake de um dos próprios filmes. Esse último advoga a favor do “vídeos sobre todo mundo” claramente, e ganha a causa.

Confiram por si próprios, e podem ficar à vonts pra contribuir com percepções ali embaixo usando o espaço de comentários pro que ele serve 😀

Abaixo três dos meus preferidos 🙂

SYMMETRY

WORDS

(aqui o remake só com cenas de vídeos do YouTube)

MOMENTS

Pra mais Everynone é só ir na página deles do Vimeo. Outros vídeos como os das séries Four Courners of Health Insurance, Everyone Forever Now e General Observations of People são projetos de cunho mais documental, a primeira são quatro experiências diferentes relacionadas a planos de saúde, a segunda reúne depoimentos sobre os hábitos explicitados em cada título e a terceira são filmagens de pessoas sendo pessoas por aí (ou não necessariamente).

WOWzei sim.