Só Uma Opinião acerca de: Relacionamentos Abusivos

Se você esteve ou está em um relacionamento abusivo a sua culpa nisso vai entre 1% e 50%, nunca zero. MUDE EM VOCÊ o que precisa pra isso não acontecer mais. Não fique só esperando dos outros não. Nessas mudanças também está saber escolher e avaliar melhor as pessoas. O papo é que relacionamentos, culturalmente e “animalescamente”, são abusivos em essência. Ou você acaba virando o abusador, mesmo que situacional, pra se defender que seja, ou você muda a forma como enxerga relacionamentos, como se relaciona e o que aceita em uma relação – e isso tem a ver com a sua relação consigo mesmo, tá completamente linkado. Essa segunda opção parece uma que conota uma evolução de verdade, seria ótimo se as pessoas se relacionassem – e não digo só amorosamente – de maneira que os jogos de poder e ego fossem mínimos ou nulos, e realmente o amor, a honestidade e a empatia figurassem como o foco. O problema de só reclamar e expor abusos é que pouquíssimas pessoas falam pra pessoa abusada PARAR DE ESPERAR que o outro não seja egoísta e não use de manipulação, e PARAR DE PINTAR vilões e mocinhos na história. Essas facetas de manipulação são muitas vezes inconscientes, e não denotam que alguém é MAU simplesmente, mostram que alguém é ou está inseguro, seja lá por quê ou pelo quê, e isso não quer dizer que você precisa ou pode aceitar, mas você precisa, caso tenha algum interesse em auto-conhecimento e evolução humana, compreender porque acontece. O cerne da questão.

As pessoas dificilmente estão com a outra de verdade, as pessoas costumam ter um pé atrás e uma mão espalmada pra frente, pra não ficar “por baixo”, pra não “perder o controle”, até mesmo pra não perder o outro. Pra não se sentirem e não serem vulneráveis. Eita coisa que humano tem medo é de ser vulnerável, ser “feito de idiota”, ser visto como idiota pra sei lá quem, mas ser, e coisa do tipo. É meio engraçado, porque se tem uma constante na condição humana é a vulnerabilidade, ninguém tem o controle de nada, o que vai acontecer amanhã? Se engane o quanto quiser sobre ter o controle. E bom, pode atirar aí a primeira pedra quem nunca foi abusado ou teve alguma ocasião que acabou sendo o abusador, mesmo sem querer, porque é isso, relacionamentos, culturalmente, são guerra. Se você mudar essa guerra pra amizade, as coisas começam a mudar. Se você mudar o “só reclamar” pro “peraí, mas até que ponto eu não deixei isso acontecer? A pessoa me enganou mesmo ou eu me deixei enganar por cegueira de paixão e dependência emocional?”, as coisas podem começar a mudar. Bom lembrar que nem o vitimismo nem se colocar a culpa são saudáveis, as duas formas são desequilibradas e impedem mudanças práticas.

Enquanto, também, você se sentir apto e capaz de criticar relacionamento alheio e ver entre duas pessoas um mocinho e um vilão, você está ajudando em nada. O mocinho deixou o vilão ser vilão, e você não tem como saber o motivo disso, você não tem como saber até que ponto o mocinho tinha tudo pra perceber que estava dando abertura pra vilania, e não tem como saber até que ponto o tal vilão foi muito honesto com o tal mocinho e disse “olha, comigo é assim” e o mocinho aceitou e/ou achou que poderia MUDAR isso. Você é amigo de alguém que está se anulando em um relacionamento? Está sendo manipulado? Converse e pergunte sobre como a pessoa se sente. Converse e pergunte se ela gostaria que isso mudasse. Converse e mostre que há formas.

Um parênteses: Existe um aspecto dentro do cultural que é o desequilíbrio entre gêneros, e muita gente discute sobre relacionamentos abusivos dentro de pautas feministas. Conheço diversos homens que foram os mais abusados em um relacionamento, e no meu convívio esse número é até o mesmo do de mulheres. E bom, eu não vilanizo homens no geral, eu tenho homens na família e amigos tudo de bom, que quando erram estão sendo apenas humanos. E se acabam reproduzindo algum aspecto de uma sociedade machista, pra mim, no que já testemunhei, estão demonstrando serem produtos do seu meio. Se a sociedade é machista, veremos machistas. Homens e mulheres. E se queremos mudar isso, devemos mudar como nos portamos, o que aceitamos e sermos fortes. O mundo não te dá igualdade, queremos ela, o mundo não te dá respeito, e se queremos consegui-los precisamos ser FORTES. E cada um escolhe a sua maneira, a minha é a de manter pessoas que eu acredito na bondade por perto e me afastar das que considero vis, me afastar de quem não me respeita, por qualquer motivo que seja, incluindo o “ser mulher”, e bater de frente quando achar necessário. Esse parênteses é só pra dizer que esse texto não é o meu ângulo como mulher sobre relações abusivas, é o meu ângulo como ser humano. Não, esse texto e essa reflexão não deve valer pra todo tipo de gente com todo tipo de educação, acho que vale só pra quem quer e pode refletir. Então é isso: enquanto todo mundo achar que existem vilões e mocinhos, vai continuar sendo guerra, e os abusos, obviamente, vão continuar.

Os maiores problemas entre as pessoas são as falhas de comunicação e achar que tudo é preto e branco, que existe um certo e errado bem simplistas. Errado é você, como ser humano, ser tão complexo, e continuar reduzindo os outros a erros e ficar só passando a mão na cabeça de quem sofre. Errado é você, como humano, ser tão cheio das suas peculiaridades, sensações e sentimentos, ser heróico em alguns dias, e ser idiota em outros, ficar limitando as pessoas. E acredite, você pode acabar limitando alguém na melhor das intenções.

EMPODERAMENTO não é só ouvir, não é só expor mazelas, problemas, é também se dar e dar ao outro uma noção de que não precisa ser desse jeito, e de que maneiras isso é realmente mutável. A empatia só faz bem até o seu limite de atuação: mostrar que o outro não está sozinho. Depois que se consegue isso, próximo passo? É sempre bom se lembrar e lembrar o coleguinha que o mundo não deve porra nenhuma pra ninguém. Só você pode fazer por você, e que hajam bons amigos de verdade ao seu lado pra não te diminuírem por erros, e saberem que só “passar mão na cabeça” tem a grande chance de acompanhar a gravidade, quando o que você precisa mesmo é ser amado, respeitado e que alimentem as suas forças pra você conseguir levantar o queixo e seguir em frente.

Quer mudança? Mude. Começa com o não calar, mas nunca vai terminar por aí.

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