Bola de neve

No desenrolar da bola de neve que a gente vai se tornando e rolando, uma hora alcança terra, grãos, atrito, e a neve nos deixa em lascas. Outra hora, cai no mar e a neve vira mais algum litro de oceano. E o que acontece depois é ridículo. Em uma situação, se vira carne viva à milanesa de areia. Na outra, não se consegue respirar. Então se volta ao topo do cume gélido acreditando poder se manter em pé, firme, mas ninguém é mais forte que a gravidade, uma avalanche ou a vontade humana de se jogar e sair da mesma merda de lugar.

Que exista o vento cortando a face, se deixar acumular a vida, que se prenda em nós como limo em pedra. Ao que parece, repetiremos as mesmas ações, sentiremos o mesmo vazio, nossa alegria sempre será fruto do que sabemos nos fazer sorrir e pecaremos nas conhecidas falhas. O importante não é mudar quem somos, é saber quem somos. Só com conhecimento do percurso que se pode desviá-lo com sabedoria. Somente se deixando rolar que saberemos como e até onde podemos ir. A neve não nos prende, ela nos embolota para que possamos, no momento certo, nos livrar dela e automaticamente virar memória, e memória é experiência.

Quem não se vê uma bola de neve não tem como dizer que lutou por alguma coisa. E isso é coisa de quem sabe o que quer, de quem segue o que chamam de destino. O corroborar para a existência em atitudes da sua essência. Ser vida, não sobrevida. Se lascar no chão e perder a respiração faz parte, ser bola de neve que só rola é repetir a mesma sequência de quadros como Tom caçando Jerry. Tudo tem seu momento, e a vida é assim: cume gélido, bola de neve, já chega de neve, já chega de não neve. E de novo.

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Um pensamento sobre “Bola de neve

  1. Bem, li, reli, re-reli e não consegui compreender. O incompreensivel nao me assusta, o que me assusta é a falta de compreensão, a falta de imaginação a falta de sensação. Sensação esta que é desperta pela singeleza de versos brancos amontoados com num pequeno castelo de cartas, que pode voar com um simples assopro. O assopro não se sabe de onde vem, nao se sabe como se mantém, mas sabe-se que ele existe, persiste e insiste em tentar derrubar o castelo. Mas não é castelo o que vive sem fosso, sem dragões, galinhas ou dinossauros. São pedras sobrepostas que se ascendem e transcendem o vã e limitado módulo do meu conhecimento, do meu entendimento, do meu discernimento. Mas tudo é uma questão de perspectiva. Obrigado pelo bom momento.

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