TPM: Uma Jornada – TPM é tão Natural quanto Sexo

Introdução ao conteúdo abaixo AQUI.

A minha teoria que eu gosto de pensar:

Quando o óvulo não é fecundado, se menstrua (e muitas vezes se comemora e se fala que vai pagar uma grade de cerveja pras amigas), e os níveis de estrogênio e progesterona despencam, ficam no quase zero, e logo tudo volta a acontecer. É como preparar um enxoval, um berço. O estrogênio vai montando a estrutura, a progesterona coloca o colchãozinho, a hipófise manda de presente as ferramentas e os lençois. E o berço fica lá esperando, esses hormônios todos tendo esse trabalhão, subindo e descendo escada, saindo pra deixar o outro entrar porque os cômodos celulares só tem espaço pra um às vezes, e quando terminam, eles esperam. Esperam ansiosamente. E nada acontece. Eles começam a ficar putos, oras. Como assim eu arrumei isso tudo pra nada?!

Uma fêmea é uma fêmea para um único propósito: procriar. O organismo feminino funciona para esse fim. Mesmo que a cultura possa querer o contrário, mesmo que a capacidade de racionalizar e o livre-arbítrio queiram diferente, mesmo que a vida não seja só a súplica do seu útero. Se você é uma fêmea o seu papel na natureza e na perpetuação da espécie é esse. Nós, como partes de um sistema natural, nos encaixamos nele para propósitos simples assim. O que somos no que criamos, o sistema social, não muda o que a natureza demanda, mesmo que possamos impedir e bater de frente. A natureza grita e continuamos tentando mudá-la em nossa inventividade, e muito conseguimos, mas não deixamos totalmente de ser o que somos.

A TPM é só a resposta de um organismo que não cumpriu o seu papel primordial em existir. Passou o momento certo pra fazer vida dentro daquele óvulo-alvo posicionado com tanto cuidado, então tudo começa a descamar, a morrer, e sangue. É o sentimento do fracasso sendo reconhecido, os ombros caídos de toda a química que se envolve tanto, de 28 em 28 dias, pra conseguir seu objetivo. É a fêmea que não provou ser fêmea de verdade. A depressão toma conta por isso. Por algo que muitas vezes nem se queria que acontecesse. Mas a natureza queria.

Quando eu me vejo na TPM eu fico com raiva, não necessariamente motivada pela TPM, mas porque ela existe e me deixa diferente, e eu não consigo total controle sobre os olhos que enchem de lágrima facilmente ou a impaciência de ter que explicar mais do que eu quero. É por isso que, na minha teoria, a TPM deixa as mulheres carentes, necessitadas de atenção, de comprovação de valor, afeto, porque de repente o organismo delas aponta o dedo num carão dizendo que ela não foi mulher o suficiente. Porque ela não recebeu a visita que faria sentido à sua existência. Como não ficar irritada com tudo e todos com tanta pressão química?

Quem nunca teve, não vai entender.

Um paralelo entre a incompreendida TPM e o que os homens acreditam que não dá pra entender:

Em um paralelo, a TPM seria como o que muitos homens acreditam ser “coisa deles”, o desejo sexual pulsante pela sua, pelas dos outros, pelas de ninguém, mas por elas, muitas delas, todas elas. Aquilo que seria o seu motivo em existir como macho, o mesmo da mulher, perpetuação da espécie. E para eles é ir soltando sementinhas aos quatro cantos, enfiando o berimbelo em quanto mais melhor, porque é assim que a natureza manda ser. E eles acham que mulheres jamais compreenderiam isso, porque é “coisa deles”. Inicialmente, sim. Homens foram feitos pra isso, fecundar, mas…

Pulei o parágrafo pois a coisa é nossa. O acasalamento, a busca do nosso instinto por um parceiro ideal, é nossa. O “ideal” sempre dependendo do momento, do objetivo, algumas pessoas querem para a vida, outras para o aqui-agora, e ainda o “vamos ver”, “deixar acontecer”, “por que não?”, e esse foco se desloca. Se homens tendem a ser poligâmicos por instinto, mulheres tendem a mudar o seu foco masculino de prioridade, por instinto. Se o macho o qual uma fêmea se relaciona não atende às expectativas, ela se torna naturalmente vulnerável à influência de outro, e às vezes é só por uma questão de piscar os olhos. O idioma em que muitos homens se sustentam é o prazer, e a expressão mais utilizada nessa língua é o “não significou nada”. Esse idioma “prazer” que a cultura faz muitas mulheres não perceberem ter a mesma inclinação para falar, mas falam fluentemente. Ouso dizer que a natureza feminina auxilia fazer o “prazer” uma língua moribunda, já que fêmea quer a segurança para si e sua cria, nossos antepassados ecoam dentro de nós, sabe? E os contos de fadas também.

Dizem que quem criou a infidelidade (ou a poligamia) foi um homem, eu tenho lá minhas dúvidas, mas faz sentido. Por esse motivo de mulher existir pra ser mãe e homem existir pra ser pai dos filhos de muitas mulheres. Por experiência e observação, mulheres tendem mais à monogamia, ou pelo menos à crença de sua aplicabilidade, do que os homens, eles, sempre tentados pelo capeta chamado curvas femininas. Essas curvas supervalorizadas na estética mundial. É complicado ser diferente quando tudo ao seu redor corrobora para o pensamento imperativo: deseje-a, deseje-a, deseje-a. E ser homem na nossa sociedade ter tanto sobre o “pegador”, o conquistar, o conseguir. Cocotas são troféus. Uhul. Não, ridículo isso, macacos.

Não é difícil de entender que seja assim, os motivos e fatores são inúmeros para que homens ajam e sintam como tal, para que esse comportamento esteja enraizado passando por geração após geração após geração, Eras. Um traço cultural desenvolvido com base na natureza, onde mulher era algo a ser conquistado (sendo como for, e ainda até que é, né?), que sempre foi vulnerável em força física e por ter que carregar um bebê, que a moral religiosa soube separar “muito bem” os papeis dos gêneros, e tudo aquilo que sabemos da História e sobre a vida das nossas avós naquele mundo de casa, comida, roupa lavada. Não é difícil de entender, acredite em mim. Aceitar que você, machão, precise espalhar suas sementinhas porque a natureza manda, é outra coisa. Assim como uma mulher na tensão pré-menstrual querer jogar um vaso pra espatifar na sua cara. Não aceitamos, apenas entendemos que existe o impulso.

A natureza me manda gritar na cara de muita gente quando eu tô na TPM, e eu não faço isso. A natureza me pede, até implora, pra eu enviar um belo dum “vá tomar nas partes tabu do corpo” pra quem muitíssimo pode merecer, mas nem por isso eu envio. É isso, eu me olho no espelho e vejo uma criatura escrava da natureza, das influências a que fui submetida desde minha concepção, da minha história pessoal, dos meus sonhos, das minhas decepções, das minhas crenças e consigo não ser só um corpo o qual a química manda e desmanda, mas que a respeita por ser o que é, e administra.

Homens e mulheres não são tão diferentes assim quando atribuímos correspondentes, só se fica na dúvida eterna do que dói mais, o parto ou um chute no saco.

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