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	<title>Raios &#38; Bombas</title>
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		<title>Raios &#38; Bombas</title>
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		<title>Fado da Farda do Fardo</title>
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		<pubDate>Wed, 18 Jan 2012 16:10:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Laila Razzo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Das Frases, Sons e Formas Que Vem]]></category>
		<category><![CDATA[Percepções]]></category>

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		<description><![CDATA[Estamos amaldiçoados a sermos vividos e esquecidos. Estamos amaldiçoados a esquecer. Abençoados a esquecer. Uma melodia surge na última camada cerebral, o fado do fardo. Como todo fado, cheio de pesar; o peso do fardo, da farda sazonal. Com as fardas vão-se alguns planos, projetos. Os objetivos são daqueles da pele, os sonhos são daqueles [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=raiosebombas.wordpress.com&amp;blog=12675888&amp;post=402&amp;subd=raiosebombas&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Estamos amaldiçoados a sermos vividos e esquecidos. Estamos amaldiçoados a esquecer. Abençoados a esquecer.</p>
<p>Uma melodia surge na última camada cerebral, o fado do fardo. Como todo fado, cheio de pesar; o peso do fardo, da farda sazonal. Com as fardas vão-se alguns planos, projetos. Os objetivos são daqueles da pele, os sonhos são daqueles da alma. Não se vão, nunca irão. Nos pertencem, são nossos, só nossos, e os personagens aceleram numa metamorfose de alta velocidade distinguível apenas quando passam.</p>
<p>Fadistas fadados às fardas dos fardos.</p>
<p>A dolência do esquecimento arde enquanto interessante a memória, quando não, “ainda bem”. Aceitar o “ainda bem” dos outros enquanto nossa figura torna-se desfocada ao borrão de uma única cor dessas de parede sem cor catalogada na ponta da língua – nem amarela, nem laranja, nem marrom, talvez um bege, que serve pra qualquer tom entre elas que não se saiba, nem se tente, classificar – é ______ (foda?). Nos tornamos de uma coloração indiferente, como se tornaram a nós. Somos da cor do burro quando foge, ou pior.</p>
<p>Vou invadir sua vida talvez de amarelo solar, vou perpassar tons salpicados de magenta e vermelho, me transformarei em lilás, irei até o azul celeste, o verde musgo, o cinza caótico, o preto escuridão e, um dia, virarei um tom inclassificável pelo tanto faz. Minhas cores vão pintar a sua farda, de obra de arte abstrata às ordinárias manchas.</p>
<p>No fado desse fardo se entoa o escuro, o musgo, o caos. As manchas da farda que se torna trapo. No guarda-roupa os restos de pano, que um dia foram fardas, em cabides, os trapos enfileirados como alta-costura esquecida. A nova farda que surge já chega fadada ao mesmo fim manchado de fardo.</p>
<p>Mas aí, eu penso, ainda bem que <em>fatum</em> originou tanto o fado quanto as fadas. Fica por nossa conta escolher a roupagem do destino. Fadista fadada às fadas, o prazer é nosso, espero.<br />
<a href="http://raiosebombas.files.wordpress.com/2012/01/fadodasfardas.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-404" title="fadodasfardas" src="http://raiosebombas.files.wordpress.com/2012/01/fadodasfardas.jpg?w=600&#038;h=506" alt="" width="600" height="506" /></a></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/raiosebombas.wordpress.com/402/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/raiosebombas.wordpress.com/402/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/raiosebombas.wordpress.com/402/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/raiosebombas.wordpress.com/402/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/raiosebombas.wordpress.com/402/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/raiosebombas.wordpress.com/402/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/raiosebombas.wordpress.com/402/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/raiosebombas.wordpress.com/402/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/raiosebombas.wordpress.com/402/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/raiosebombas.wordpress.com/402/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/raiosebombas.wordpress.com/402/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/raiosebombas.wordpress.com/402/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/raiosebombas.wordpress.com/402/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/raiosebombas.wordpress.com/402/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=raiosebombas.wordpress.com&amp;blog=12675888&amp;post=402&amp;subd=raiosebombas&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Lundiwrans, o Exorcista do Pânico de Dirigir</title>
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		<pubDate>Mon, 26 Dec 2011 22:46:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Laila Razzo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[Humor]]></category>
		<category><![CDATA[Viagem]]></category>

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		<description><![CDATA[Baseado em fatos reais. Do alto de uma quantidade indecente de prêmios, um instrutor de direção psicoterapeuta fora contratado para lidar com meu levemente acentuado pânico de conduzir automóveis que ignoravam minhas súplicas de andarem direito, claustrofobia de trânsito e pavor de buzinas estressadas. Ideia do meu tio, Pingo, apelido carinhoso concedido por uma velhaca [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=raiosebombas.wordpress.com&amp;blog=12675888&amp;post=377&amp;subd=raiosebombas&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><span style="color:#999999;">Baseado em fatos reais.</span></p>
<p style="text-align:justify;">Do alto de uma quantidade indecente de prêmios, um instrutor de direção psicoterapeuta fora contratado para lidar com meu levemente acentuado pânico de conduzir automóveis que ignoravam minhas súplicas de andarem direito, claustrofobia de trânsito e pavor de buzinas estressadas. Ideia do meu tio, Pingo, apelido carinhoso concedido por uma velhaca que dava-lhe banhos quando pequerrucho. “Não” era uma resposta equivalente a ter toda minha integridade misturada a um saco de estrume, que consequentemente seria tachado de “contaminado” pelo INMETRO e descartado. Então escolhi aceitar.</p>
<p style="text-align:justify;">A propaganda de Tio Pingo era: 100% de eficácia. Dr. Lundiwrans, o exorcista do pânico de dirigir. De descendência sueco-suíça, graduação harvardiana, escolheu acomodar todo seu brilhantismo em uma cidade do nordeste brasileiro, viver uma vida humilde como dono de uma auto-escola cujo e-mail de contato é do saudoso Bol. Deve ser um daqueles homens de olhos tão azuis que parece cego, e quando conseguir um contato visual me hipnotizará no segundo segundo, pensei.</p>
<p style="text-align:justify;">Fui para minha primeira prática, de cinco das prometidas para exorcizar o diabo da denominada #trafficanxietyattack nos tópicos tendência de uma sociedade cada vez mais à beira de um ataque de nervos, e conheci Lundiwrans. De olhos mais cansados que um jegue, menos azuis que uma barata, corpo esguio de maratonista, feição mais brasileira que um retirante de Portinari. Se o ceticismo já me acompanhava, resolveu me dar a mão. Cordial, Lundiwrans me deu um “Olá, vou apenas falar com seu tio e poderemos começar”. O sotaque nordestino esgueirando-se pelos dentes. Se o ceticismo havia agarrado minha mão, agora me abraçava intrigantemente quase libidinoso.</p>
<p style="text-align:justify;">Ao longe, o observei falar com Tio Pingo, entre sussurros, sobrancelhas arqueadas ali e acolá, bochechas tensas, olhadelas nervosas em minha direção. O cheiro de conspiração infestou minhas narinas. Sorriram amarelo, apertaram as mãos, Lundiwrans voltou-se a caminho do carro, Tio Pingo acenou motivacional e eu fingi burrice. Tinha ciência do risco que minha ansiedade crônica estava correndo, mas antes ela do que eu. Sentei no banco do passageiro e me propus a ver até onde iria aquela farsa.</p>
<p style="text-align:justify;">Em área segura, Lundiwrans pediu para que trocássemos de lugar e começou a falar:</p>
<p style="text-align:justify;">- Vamos primeiro conversar um pouco a respeito disso que você tem. Pânico, né?</p>
<p style="text-align:justify;">- É&#8230; O carro me controla mais do que eu ele. Em situação de nervosismo tiro os pés dos pedais, levanto as mãos para os céus, fecho os olhos e rezo pro primeiro santo que me vier à cabeça – fiz questão de amedrontá-lo.</p>
<p style="text-align:justify;">- Hehehe – soltou um risinho nervoso – Só quero lhe pedir uma coisa: mantenha a calma. Senão ficará um pouco complicado para procedermos.</p>
<p style="text-align:justify;">“Mantenha a calma. Senão ficará um pouco complicado para procedermos”. Exatamente o pedido e a observação que uma pessoa com pânico de dirigir precisava ouvir&#8230; Surtei. Dentro da minha cabeça faróis estrobóticos relampeavam, todos os carros se agigantavam monstruosamente e gritavam com suas buzinas, pneus cantavam freando alucinados, palavrões cabeludos cortavam o ar, pow póf crash!</p>
<p style="text-align:justify;">Era um charlatão.</p>
<p style="text-align:justify;">Merecendo um Oscar, mantive-me sem expressão ouvindo.</p>
<p style="text-align:justify;">- A gente vamos com calma&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">A gente vamos? Em meio aos estilhaços de vidro, no meu palquinho mental surgiu um “HA HA”.</p>
<p style="text-align:justify;">- A gente vamos começar devagar. Saia com o carro.</p>
<p style="text-align:justify;">“A gente vamos começar devagar. Saia com o carro”. Ao “HA HA” se uniram mais dois, “HA HA HA HA”. Era uma piada&#8230; “Pessoa com pânico, mantenha a calma, a gente vamos começar devagar, saia com o carro”. O que eu podia fazer além de iniciar o carango e botar o bicho pra frente? Tava todo pintado de auto-escola mesmo&#8230; Imbecil aquele que achasse que estava lidando com uma pessoa alfabetizada na direção. Fui.<span id="more-377"></span></p>
<p style="text-align:justify;">No momento em que Lundiwrans solicitou que passasse a segunda e seguisse reto, fomos interrompidos pelo celular. Ele se desculpou falando um “rapidinho” e atendeu.</p>
<p style="text-align:justify;">- Alô. (&#8230;) Sim, rapaz! Eu te liguei hoje&#8230; (&#8230;) Hummmm, té doido cumpade? Tava marcado pra de manhã! Tu num lembra? (&#8230;) Cumpade, num dá marroje não. Tô lotado, marvém amanhã&#8230; É, rapaz! Mermo horário, dez horas. Nonvacila&#8230; – <em>bip</em>, desligou – Agora você pegará a sua esquerda&#8230; Dê a sinalização de que irá para lá.</p>
<p style="text-align:justify;">O palco mental recheou-se de mais casais de HAs.</p>
<p style="text-align:justify;">Segunda prática, cheguei leve. A anterior tinha dado tudo certo, até fui pro trânsito, com Lundiwrans me alegrando com seu linguajar formal desbotando-se bem em frente aos meus ouvidos que nem adoram um calorzinho de coloquialidade. Ele atendeu o celular umas três vezes. E a cada vez, se confundia mais com sua abordagem verbal. Chegou a entender um “cumpade” com “Pois não?”, seguido de um riso estrangulado e um “Ah, é tu rapaz!”. Até que ao final da aula, todo seu floreio apresentava-se mais descascado que banana em mão de macaco. Uma crise de identidade comunicacional ocorrera, colocando o Lundiwrans psicoterapeuta cara a cara com o Lundiwrans que devia bem atender a Chico ou algo como Jebérson. Mas eu não havia estancado, nem atropelado nenhuma senhorinha.</p>
<p style="text-align:justify;">Lundiwrans balançou o dedo indicador como um pêndulo invertido quando abri a porta do co-piloto e gesticulou o banco do motorista, no meio de uma avenida movimentada. O questionei se ele tinha certeza. Ele, mais uma vez, me solicitou que apenas mantivesse a calma. Todas as cores dos meus olhos sumiram pra dentro do crânio. Mas fui, minha leveza não seria abalada. E minha curiosidade mantinha-se latejando.</p>
<p style="text-align:justify;">Tudo correu em uma tranquilidade sem tamanho, talvez auxiliado pelo fato de que não passei da terceira marcha. Cantarolei baixinho o trajeto inteiro, em alheísmo e calma exemplares. Lundiwrans me perguntou sobre meu gosto musical, já totalmente liberto da pompa na fala. Sentindo-se o expert que ele não era, disse, estufando o peito de orgulho, que eu poderia levar CDs para ouvir nas aulas já que minha ligação com música era, como ele mesmo denominou, forte. Consegui enxergar o palco mental dele perfeitamente: “E o prêmio de sagacidade vai para&#8230; Lundiwrans!”, ecoou uma voz abafada de alto-falante. E ao invés de receber uma estatueta, um Lundiwrans pelo menos quatro vezes o seu tamanho em músculos e três o seu charme exibia uma faixa diagonal de miss. Por sua vez, meu palco mental de calmaria musical voltou aos HA HAs.</p>
<p style="text-align:justify;">E é claro que ele atendeu ao telefone algumas vezes. Em uma delas era sua mãe e uma nova persona fora revelada: o Lundizinho da mamãe. De voz de veludo envergonhada por não ter feito a lição de casa, exclamava: “Ôôô, mamãe!”, “Não se preocupe não, mamãe&#8230;”. <em>Bip</em>, desligou e comentou: “Agora pronto. Mãe vai no médico, o doutor fala que ela é ansiosa e num sei quê marlá e agora vive estressada me ligando por tudo. Ó a ideia&#8230;”.</p>
<p style="text-align:justify;">Lundiwrans, seu fanfarrão. Só isso que consegui pensar, o palquinho mental com HA HAs flutuantes como balões de gás num tempo sem vento, movendo-se no teor tranquilizante da música que continuava tocando em alguma vitrola velada pelas coxias.</p>
<p style="text-align:justify;">Até a quinta e última aula, descobri muito sobre Lundiwrans em seus telefonemas incessantes. Além de mãe, também tinha pai e uma irmã, que era motoqueira e precisava do auxílio de algum conhecido pra ir levar sua moto ao aeroporto. Será que Lundiwrânia era tão hellrider ao ponto de chegar da Suíça de visitar a vózinha Lundi num interiorzinho bucólico e já querer subir na venenosa e cortar esse ar úmido e quente? Lundiwrânia veio ao palco com um capacete de cabeleira cheia igual o da Vanderleia. (Ou da Maria Bethânia?).</p>
<p style="text-align:justify;">O gráfico de relacionamentos de Lundiwrans era repleto de linhas e nós, um verdadeiro homem de contatos. Em um dos telefonemas, enquanto eu dirigia na minha terceira marcha com o ouvido em cada sílaba proferida por ele, queria saber das últimas novidades em tênis. Desejava um lançamento dos bons. “Eu quero saber o que tem de novo, dos lançamentos, rapá. (&#8230;) Não, esse aí eu já vi! Tu num lembra? Quero coisa nova. Quede Antônho? Antônho vai saber me dizer. (&#8230;) Hum, então diz pra ele me ligar quando voltar que eu quero é saber se ele num pediu aquele náique novo&#8230;”. <em>Bip</em>. Lundiwrans acompanhava a moda dos calçados esporte. Um Lundiwrans atlético entrou no palco exibindo um Nike Shox turquesa metálico.</p>
<p style="text-align:justify;">Em outro momento, ligou pra algum colega envolvido em computação para lhe conseguir uma dada “peça” que um outro havia lhe indicado para a conexão da internet em sua empresa. “Ele disse lá que eu tô precisando duma peça nova aí, aquele uotisles. (&#8230;) É pro negócio da internet, pra colocar no computador, uotisles&#8230; (&#8230;). Pois é, ele me disse que eu tinha que conseguir esse uotisles aí, UÓ-TIS-LES, entendeu? UÓ-TIS-LES. Arranja pra mim”. <em>Bip</em>. Lundiwrans também era autoritário e queria estar munido de tecnologias de ponta. Entraram duas pessoas no palco, inseriram um dispositivo no solado do tênis de Lundiwrans e saíram. Tateando o bolso, Lundiwrans tirou um iPhone, cutucou o aparelho e saiu correndo com seu treino todo acompanhado por um aplicativo.</p>
<p style="text-align:justify;">Basicamente, Lundiwrans me mandava dirigir, manter a calma e falava no celular. Quando não, eu puxava um assunto aqui ou ali sobre carros e trânsito. Em meio a algum questionamento sobre influência de gênero na direção, Lundiwrans comentou que a maioria de seus alunos que reprovavam eram homens, e só e somente só porque se sentiam mais seguros do que realmente estavam para dirigir. Homem é bicho orgulhoso, né Lundiwrans? “Vixe! Mas é viu&#8230; E voltam tudo de rabinho preso. HE HE HA-A HA-A! É mermo&#8230;”. A risada de Lundiwrans era gaga quando a abertura da boca era odontológica. Em outro momento, ele me confessou que aprendera a dirigir sozinho aos 12 anos no terreno de uma casa da família e “PÔU! Quase dou PT no motor de titio!”.</p>
<p style="text-align:justify;">Entre conselhos de “deixa o povo buzinar”, “é só ficar na direita” e “arranca rápido, doidice!”, terminei o intensivão Lundiwransiano. Nos despedimos com um aceno de cabeça caloroso e voltei dirigindo meu carro pra casa, estancando em cima de uma ladeira, mas voltei. Toda a farsa a respeito do background do meu instrutor sueco-suíço altamente premiado ainda me intrigava. Por que Tio Pingo insultara minha inteligência assim? Será que ele próprio acreditou mesmo naquela história e pagou toda aquela fortuna na maior inocência?</p>
<p style="text-align:justify;">Uma semana se passou e eu deixei a história de lado. Tio Pingo poderia ver muita ingratidão em qualquer suspeita que demonstrasse. Até que, após uma dose ou cinco de algum destilado que minha vergonha na cara não me deixa citar, me vi encarando esse assunto novamente. Conversava com um amigo meu que não via há tempos (mas parecia que o tinha visto outro dia mesmo), sobre alguma de suas adoradas teorias conspiratórias ou lendas urbanas e me vi estátua ao terminar uma frase com uma vírgula e seu nome. Leo Durans. Leo Durans, Leo Durans. Leo, Du-rans, repetia em transe. Ele ficara perplexo. “Oi?”. Voltei a mim e o questionei com sobrancelhas erguidas e olhos de raio-x:</p>
<p style="text-align:justify;">- O que tu sabe a respeito de um psicoterapeuta especializado em pânico de dirigir que responde por Lundiwrans?</p>
<p style="text-align:justify;">A coloração do rosto de Leo ficou furta-cor em uma piscadela de duração. Ele deu um sorriso amarelo de olhos fixos em mim e indagou após uma tensa pausa:</p>
<p style="text-align:justify;">- Quem?</p>
<p style="text-align:justify;">Levantei de supetão ainda mantendo o pupila-pupila inquisitório. Ele parecia se encolher apesar de forçar seus ombros para trás ao máximo a uma postura confiante. E comecei a andar de um lado pro outro lentamente, mãos engatadas atrás das costas, deixando minhas engrenagens mentais rodarem. Parava apenas para questioná-lo, com olhos de furadeira, pronunciando algumas palavras tão rapidamente que pareciam longas palavras alemãs.</p>
<p style="text-align:justify;">“Tu nunca ouviu falar mesmo nesse cidadão sueco-suíço que reside aqui nessa cidadequeéumovo?”. O sorriso amarelo ficara nervoso, ansioso.</p>
<p style="text-align:justify;">“Tu não sabe mesmo desse homem que tem uma auto-escola com um emaildecontatodoBol ali perto do Detran?”. O sorriso dele extinguira e deu lugar a uma ruga de prender o riso na bochecha.</p>
<p style="text-align:justify;">“E não sabe nada a respeito de ele ter uma irmã motoqueira, uma mãe ansiosafracopratênis da moda, não saberfalarwireless corretamente e ser uma grande farsa?”. Ele desabou. Contorcia-se, as costas fechando o corpo em uma concha. Pensei que o tinha metido em um ataque nervoso, até que audível soou finalmente uma gargalhada insana.</p>
<p style="text-align:justify;">Esperando de olhos semicerrados e braços cruzados ele se recompor e me perguntar, falsamente, que loucura toda era aquela, Leo Durans recuperou o fôlego e na verdade disse-me que contaria tudo. Eu sabia.</p>
<p style="text-align:justify;">Pegou o laptop em uma conexão uotisles e entrou na Deep Web, anunciando teatralmente que me levaria enfim ao submundo internetal, ao abismo das transferências de dados, ao lado obscuro do ciberespaço, às catacumbas dos valores humanos, à fossa da rede mundial de computadores, que ele comentava sobriamente vez ou outra. Dentro de algo como um fórum, me repassou o computador e na tela: fotos.</p>
<p style="text-align:justify;">Foto de um muro muito familiar com um contato de e-mail de um portal ultrapassadíssimo. Baixei o scroll. Foto de um celta sendo pintado com uma logomarca ridícula e a faixa de “auto-escola”. Baixei o scroll. Foto de uniformes. Baixei. Foto de cintas. Baixei. Foto de uma bancada repleta de maquiagem, pinceis, esponjas, tintas, tiras de algum material irreconhecível, entre outros potinhos, com a legenda “maquiagem cinematográfica”. Baixei. Foto de Leo.</p>
<p style="text-align:justify;">Fiz uma pausa pra tomar fôlego. Não era possível. Baixei. Foto de Lundiwrans. Era possível.</p>
<p style="text-align:justify;">Encarei a tela por segundos a fio enquanto todas aquelas informações absurdas me devoravam como piranhas e me sentia engolir pela luz. Leo Durans me observava apreensivo e retraído, creio que esperando um soco no nariz. Antes que eu pudesse verbalizar qualquer revolta que adquiria forma dentro de mim, ele quebrou o silêncio e pôs-se a explicar o plano extraordinário que havia tido.</p>
<p style="text-align:justify;">Era tudo muito simples. Ele sabia do meu pânico de dirigir, sabia que meu tio vivia a me cobrar de usar a tal da carteira de motorista que se tira por uma razão e, como disse, sabia que meu problema era só falta de familiarização. Jurando de pés juntos que o grande fator motivador havia sido me ajudar e não dinheiro, acabou por se ver com uma ideia-galinha dos ovos de ouro. Contudo, sua ideia era impraticável na faceta dos cifrões primeiros, o que fora viabilizado pela compulsão empreendedora de maluquice de Tio Pingo, cujo lifestyle inclui investimentos em coisas como plantações de novas árvores híbridas “que daqui trinta anos vão dar muito dinheiro com toda essa nova onda de reflorestamento” ou em fábricas de sorvete artesanais sobre as quais insiste: “não me perguntem como é feita essa casquinha, comam que é boa pra porra”, e que minha tia apelidou o produto de “sorvete de cólera”.</p>
<p style="text-align:justify;">A “Missão Lundiwrans”, como fora chamada pelos salafrários, tinha como intuito provar uma teoria que Leo Durans desenvolvera: A Psicoterapia Antipânico da Curiosidade e do Riso. Bastava estudar o senso de humor atrelado ao conforto do sujeito, assim como situações despertadoras de curiosidade investigativa. Todo aquele papo inicial explicitamente nervoso entre os dois fora calculado, a invenção de nacionalidade e origem europeia dupla em contraste com estereótipo fora calculada, o discurso de aconselhamento assustador de tão óbvio, o sotaque, o linguajar formal desbotando-se ao coloquial que me deixa com o estômago todo morninho, a risada estrangulada, os equívocos de pronúncia, os erros de concordância, os assuntos ao telefone (que, sem dúvidas, era sempre Tio Pingo ligando ou ele ligando pra Tio Pingo), tudo, tudo gelidamente calculado. O importante, Leo me disse, não era curar um pânico, era lidar com ele como se não existisse, de tal maneira que o cidadão fosse mantido curioso e confortável, envolto por uma atmosfera bem-humorada, dando uma impressão ao coitado medroso de situação espontaneamente jocosa, e então o tal temor trevoso era automaticamente levado à segundo ou terceiro plano, e logo adormecido a sete palmos das fases CCCC (curiosidade, comédia, conforto e costume).</p>
<p style="text-align:justify;">A experiência com a cobaia, eu, lucrou-lhes apenas gargalhadas e o redescobrimento dos moleques aventureiros subidores das mais altas árvores da rua que um dia foram. Abortaram a tal ideia promissora de riquezas e sucesso pelo pânico da cadeia que dificilmente seria tratado pela curiosidade ou por uma ambiência bem-humorada. Tio Pingo mantém a auto-escola funcionando legalmente, com pessoal treinado da maneira clássica, para arcar com os custos de seu empreendedorismo ainda não classificado, classificado por mim como sem noção com embasamento birutempírico. E Leo Durans virou celebridade da Deep Web através do pseudônimo Lundiwrans, continua a evoluir suas teorias e teses, dá palestras remuneradas via webcam e paga minha conta no bar um final de semana por mês, e assim o fará até completar um ano. E ah, ele que dirige.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/raiosebombas.wordpress.com/377/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/raiosebombas.wordpress.com/377/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/raiosebombas.wordpress.com/377/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/raiosebombas.wordpress.com/377/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/raiosebombas.wordpress.com/377/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/raiosebombas.wordpress.com/377/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/raiosebombas.wordpress.com/377/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/raiosebombas.wordpress.com/377/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/raiosebombas.wordpress.com/377/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/raiosebombas.wordpress.com/377/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/raiosebombas.wordpress.com/377/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/raiosebombas.wordpress.com/377/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/raiosebombas.wordpress.com/377/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/raiosebombas.wordpress.com/377/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=raiosebombas.wordpress.com&amp;blog=12675888&amp;post=377&amp;subd=raiosebombas&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Escarafunchar-se pra ser, de novo pra sempre</title>
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		<pubDate>Mon, 12 Dec 2011 13:29:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Laila Razzo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Escarafunchar. Cavucar. Cavar. Futucar. Cutucar. Arranhar. Arrancar. Rasgar. Descascar. Furar. O quanto for necessário pra ver, achar, entender; o quanto for necessário pra suprir esse vício de sentido. Por detrás da pele, os músculos; dos músculos, os ossos. Por detrás do gesto, a intenção; da intenção uma razão, um sentimento. Por detrás de um sorriso, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=raiosebombas.wordpress.com&amp;blog=12675888&amp;post=340&amp;subd=raiosebombas&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Escarafunchar. Cavucar. Cavar. Futucar. Cutucar. Arranhar. Arrancar. Rasgar. Descascar. Furar. O quanto for necessário pra ver, achar, entender; o quanto for necessário pra suprir esse vício de sentido.</p>
<p style="text-align:justify;">Por detrás da pele, os músculos; dos músculos, os ossos. Por detrás do gesto, a intenção; da intenção uma razão, um sentimento. Por detrás de um sorriso, uma felicidade, uma cortesia, uma mentira; da felicidade, uma beleza ou uma maldade; da cortesia, a educação; da mentira, uma insegurança, uma fraqueza ou um receio. Por detrás do aperto de mão de terno, um acordo; do acordo, um interesse. Por detrás do &#8220;bom dia&#8221; pálido, talvez a sonolência, talvez uma vontade que vire palavra mágica e assim o dia se torne. Por detrás do &#8220;eu te amo&#8221;, um &#8220;não te amo&#8221;, &#8220;não sei o que é amor&#8221;, &#8220;deve ser a coisa certa a dizer&#8221;, &#8220;você me faz bem&#8221;, &#8220;eu te admiro&#8221;, quem sabe. Por detrás da ideia, um impulso, uma incubação, um objetivo, uma vontade. Por detrás do laço, embrulho; do embrulho, caixa; da caixa, presente. Por detrás do hoje, ontem. Por detrás de amanhã, hoje. Por detrás da tinta nova, tinta velha, reboco, emboço, chapisco, argamassa, concreto, tijolo, vigas.</p>
<p style="text-align:center;"><a href="http://raiosebombas.files.wordpress.com/2011/12/vhils.jpg"><img class="aligncenter  wp-image-341" title="Vhils1" src="http://raiosebombas.files.wordpress.com/2011/12/vhils.jpg?w=480&#038;h=719" alt="" width="480" height="719" /></a></p>
<p style="text-align:center;"><a href="http://raiosebombas.files.wordpress.com/2011/12/vhils5.jpg"><img class="aligncenter  wp-image-342" title="Vhils2" src="http://raiosebombas.files.wordpress.com/2011/12/vhils5.jpg?w=480&#038;h=662" alt="" width="480" height="662" /></a></p>
<p style="text-align:center;"><a href="http://raiosebombas.files.wordpress.com/2011/12/vhils2.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-343" title="Vhils3" src="http://raiosebombas.files.wordpress.com/2011/12/vhils2.jpg?w=600&#038;h=398" alt="" width="600" height="398" /></a></p>
<blockquote>
<h2 style="text-align:justify;"><em>In this act of excavating, it’s the process itself which is expressive, more than the final result. It’s a process of trying to reflect upon our own layers”.</em></h2>
</blockquote>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#999999;"><em>(&#8220;Nesse ato de escavar, é o processo em si que é expressivo, mais que o resultado final. É um processo de tentar refletir a respeito de nossas próprias camadas&#8221;).</em></span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://raiosebombas.wordpress.com/2011/12/12/escarafunchar-se-pra-ser-de-novo-pra-sempre/"><img src="http://img.youtube.com/vi/R2_tdw8lINE/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<p style="text-align:justify;">E às vezes, pra achar, ver, entender, se precisa explodir:</p>
<span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://raiosebombas.wordpress.com/2011/12/12/escarafunchar-se-pra-ser-de-novo-pra-sempre/"><img src="http://img.youtube.com/vi/t6FU1Fvn9Nk/2.jpg" alt="" /></a></span>
<p style="text-align:justify;">E quando se tem a capacidade de captura de um slow motion, quando a observação é aguçada e a visão é um pente fino, por detrás de tudo ainda tem o farelo mineral; os pontos de encontro das teias, a trama engatando no urdume, as sinapses. E a poeira, e o átomo, o invisível e provavelmente o indizível. Daí volta tudo de novo a ser bom dia,  eu te amo, sorriso e parede.</p>
<p style="text-align:center;">***</p>
<blockquote>
<h2 style="text-align:justify;">I believe that, as social animals, we are all composed and shaped by a variety of different influences which are layered onto us. We are formed by these social and historical layers which are provided by the environment and context we grow up and live in. This same environment can also be seen as being composed by a vast amount of layers which have shaped it into what it is today. In a very symbolical way, I believe that by removing some of these layers and leaving other, deeper and therefore older, layers, we can expose some of the things which have been forgotten or discarded along the way. Some of these might be truly important or valuable, or even just interesting or whatever. These lost memories compose who we are today&#8221;.</h2>
</blockquote>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#999999;"><em>(&#8220;Acredito que, como animais sociais, somos todos compostos e formados por uma variedade de diferentes influências que se sobrepoem sobre nós. Somos formados por essas camadas sociais e históricas que são fornecidas pelo ambiente e contexto que crescemos e vivemos. Esse mesmo ambiente também pode ser visto como tendo sido composto por uma vasta quantidade de camadas que o moldaram como é hoje. De forma bem simbólica, eu acredito que removendo algumas dessas camadas e deixando outras, mais profundas e logo mais antigas, se pode expor algumas das coisas que foram esquecidas ou descartadas pelo caminho. Algumas delas podem ser verdadeiramente importantes e valorosas, ou mesmo apenas interessantes ou sei lá. Essas memórias perdidas constituem quem somos hoje&#8221;).</em></span></p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://raiosebombas.files.wordpress.com/2011/12/vhils-reality.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-368" title="Vhils4" src="http://raiosebombas.files.wordpress.com/2011/12/vhils-reality.jpg?w=600&#038;h=397" alt="" width="600" height="397" /></a></p>
<p style="text-align:justify;"><a title="Alexandre Farto a.k.a. Vhils" href="http://alexandrefarto.com/">Alexandre Farto a.k.a. Vhils</a> é um artista português nascido em 1987. Entrevista (em inglês) pra Fat Cap <a title="aqui" href="http://www.fatcap.com/article/vhils-interview.html">aqui</a>.</p>
<p style="text-align:center;">***</p>
<p style="text-align:justify;">Escarafunchar: esgaravatar; tirar ou remover com as unhas; procurar, examinar ou investigar com insistência, com paciência; remexer em, ger. à procura de alguma coisa.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/raiosebombas.wordpress.com/340/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/raiosebombas.wordpress.com/340/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/raiosebombas.wordpress.com/340/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/raiosebombas.wordpress.com/340/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/raiosebombas.wordpress.com/340/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/raiosebombas.wordpress.com/340/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/raiosebombas.wordpress.com/340/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/raiosebombas.wordpress.com/340/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/raiosebombas.wordpress.com/340/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/raiosebombas.wordpress.com/340/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/raiosebombas.wordpress.com/340/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/raiosebombas.wordpress.com/340/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/raiosebombas.wordpress.com/340/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/raiosebombas.wordpress.com/340/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=raiosebombas.wordpress.com&amp;blog=12675888&amp;post=340&amp;subd=raiosebombas&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Trilogia dos Espelhos: conexão e solidão (parte II e III)</title>
		<link>http://raiosebombas.wordpress.com/2011/11/23/trilogia-dos-espelhos-conexao-e-solidao-parte-ii-e-iii/</link>
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		<pubDate>Wed, 23 Nov 2011 17:31:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Laila Razzo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Percepções]]></category>
		<category><![CDATA[Comportamento Humano]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>

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		<description><![CDATA[PARTE I AQUI &#8211; GRÃO SEM SACO II – PUPILA-PUPILA É um ato de estupro. Quem tenta meter as pupilas nas tuas nem sempre vai receber as portas pupilísticas abertas, nem sempre vai conseguir que se abram. Se alguém lhe empurrar suas próprias pupilas e forem indesejadas, você desvia. E nem precisa deixar de olhar [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=raiosebombas.wordpress.com&amp;blog=12675888&amp;post=326&amp;subd=raiosebombas&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><a href="http://raiosebombas.wordpress.com/2011/11/22/trilogia-dos-espelhos-conexao-e-solidao-parte-i/" target="_blank">PARTE I AQUI &#8211; GRÃO SEM SACO</a></p>
<p style="text-align:justify;"><strong>II – PUPILA-PUPILA</strong></p>
<p style="text-align:justify;">É um ato de estupro. Quem tenta meter as pupilas nas tuas nem sempre vai receber as portas pupilísticas abertas, nem sempre vai conseguir que se abram. Se alguém lhe empurrar suas próprias pupilas e forem indesejadas, você desvia. E nem precisa deixar de olhar nos olhos pra isso.</p>
<p style="text-align:justify;">Repare, olhar nos olhos não é o mesmo de pupila-pupila. Quando conversamos com alguém cara a cara, não nos concentramos nessas bolinhas pretas a maior parte do tempo. Nossas pupilas focam diversas áreas que perpassam, por milesiminhos, nas pupilas do outro. Olhamos nos olhos, mas o olhar é disperso, não se propõe fixo. É uma lente aberta, o periférico se mantém perceptibilíssimo. Quando ocorre o pupila-pupila, não existe coisa mais fixa no planeta, nem menos questionável. Chega a ser desconfortável, é íntimo demais.</p>
<p style="text-align:justify;">Vai ver é por isso o nome pupila, menininha do latim, e daí a alcunha de Menina dos Olhos. É a menina, frágil, inofensiva, pura, genuína, que denota tanto um poder bélico de sedução, jovem, viva, desejável, quanto um valor de tesouro que se faz curador. Muito íntimas essas pupilas, almas, vaginas.</p>
<p style="text-align:justify;">Pessoas de olhar fixo, pupila-pupila em demasia, tem um trejeito psicopata, te deixam sem jeito. São olhos tão fixos que se tem a impressão de vidrados-porém-perdidos. Em ocasiões, suas pupilas estão abertas pras do outro, mas você desvia pela intensidade do gesto, timidez. E veja bem, não é necessário muito tempo nessa troca pra se perceber em meio a um estupro concedido.</p>
<p style="text-align:justify;">Pupila-pupila procuramos em tantas situações&#8230; Ao falar sério com alguém, chateados, inconformados, e pelo outro estar sob pressão, não recebemos tanto suas pupilas nas nossas. Queremos que nos prometam algo na base do pupila-pupila. Quando nos interessamos por alguém, em um simples acasalamento, aquela olhadela que quer dizer abertura, e quando se concentra mais tempo nisso e vira a tal da sedução, um convite. Naquele momento de compreensão de cúmplices, algo que os terceiros ou quartos não precisam saber, do porquê se está com os olhos sorridentes ou olhos de reprovação. Sabe quando cicrano-não-tão-bem-vindo-assim chega e senta na sua mesa de bar e você e seu amigo trocam “aquele” olhar? Pupila-pupila de cúmplice. Tem o pupila-pupila de ameaça e desafio, de sangue fervendo, do impulso de bicho. No famoso pupila-pupila da paixão dá pra ver o pula-pula do peito em um estupro mútuo. E a do amor? A sincronia suave, o trem passando nos trilhos de túnel pupiloso a outro sem barulho algum, sem chiado, flutuando, deixando uma brisa fresca que acaricia as sobrancelhas&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">Não é à toa que vamos ter uma maior sensação de confiança quando o pupila-pupila acontece. Pra alguém te deixar entrar enquanto tu permite a introdução das pupilas alheias também é um tratado, um contrato assinado. E é claro que alguns pupilapupileiam sem pupilapupilarem, fazem o vidrado-porém-perdido ao invés da abertura do fixo. Que perigo, e que feio. E talvez um pupila-pupila irônico.</p>
<p style="text-align:justify;">Você percebe o pupila-pupila e você pode compreender o seu significado tirando pela moldura, a sobrancelha, o franzir que faz a pele, uma inflada de narina, um lábio enviesado, um braço próximo do corpo&#8230; Mas aí já é “outro” assunto.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>III – ESPELHO</strong></p>
<p style="text-align:justify;">Nos encontramos nos nossos reflexos, nas nossas projeções, nas nossas dores e nos nossos sonhos. Mas até nos encontrarmos, não somos ninguém. Somos o vazio. Somos até uma fome que não se sabia que existia. Bastou sabermos da nossa existência que todos os poros roncam por nós, resmungam a nossa falta.</p>
<p style="text-align:justify;">Em todos os sentidos que isso lhe fizer. É mais que trifacetado, pode utilizar o “multi” nesse quase <em>mute</em> de tão nebuloso nas conotações.</p>
<p style="text-align:justify;">O espelho que somos pros outros é algo a ser descoberto. Sabe aquela situação é-confessando-que-se-percebe-o-quanto-se-é-normal? “Eu falo sozinha. Em inglês. Com sotaque escocês”. Você não é a única, menina doida. Com ou sem vírgula. Totalmente não-doida. Você é um espelho, nada, só, até que olhem pra você. “I’m like a mirror, I’m nothing ‘til you look at me”. Vão se encontrar em você, e não só nas coincidências, no “em comum”, vão se encontrar em você porque você vai ser pra alguém uma parte, que assim que te conhecerem, vão sentir que faltava e não sabiam, ou vão perceber em ti algo que estiveram esperando conscientemente. E quando se olharem no espelho, não vão ser mais o que eram, vão ser mais, vão carregar alguma coisa tua no próprio reflexo, em si. E isso não está sob seu controle, lembra? Só te olham se quiserem olhar. E além, vão fazer do seu reflexo o que quiserem, verão em você o que acharem que estão vendo, você pode concordar ou não. Quando você discorda&#8230; Você tem certeza que te olharam errado, que foram superficiais, e às vezes realmente o foram. “The face in the mirror is not me”. Você nunca vai ser o que você aparenta, mas sempre o que você aparenta vai ser um pouco do que você é.</p>
<p style="text-align:justify;">Os grãos, quando se dão conta que estão em sacos com outros grãos, percebem o espelho. Quando outro grão se transforma em cristal, o reflexo é inevitável. Quando são intensos no reflexo, pupilapupilamente pulam do trampolim e mergulham. Quando voltam à superfície já não conseguem respirar como antes, repentinamente se tornaram pertencentes àquela água (grãos-sereios) e se veem sós de novo, com tanto ar irrespirável do tanto, tanto ar pra compartilhar e poucas narinas demais. Podem submergir logo em seguida, podem ter que nadar cachorrinho por um tempo, podem ter que tirar o corpo todo da água, subir de volta a escada e ficar esperando lá de cima do trampolim a melhor hora pra queda-livre de novo.</p>
<p style="text-align:justify;">Grãos, que podem ser cristais, que estão divididos em vários sacos ao mesmo tempo, que são adeptos do salto de trampolim, que se tornam grãos-sereios, que tem narinas, meninas dos olhos e falta de ar com tanto ar, que tem sentimentos de solidão, que tem sentimentos de conexão, que o cristal que um outro grão se transforma os reflete, como um espelho&#8230; É, esse vendaval analógico foi pra tentar organizar pensamentos, descomplicar, desembaraçar os fios no meu miojo acinzentado, e consegui, até certo ponto. Só espero não ter transformado o seu nissin num nojo de organização. Tomara que não.</p>
<p style="text-align:justify;">O agente desencadeador do turbilhão foi música. &#8220;The Mirror&#8221; (<a href="http://www.sing365.com/music/lyric.nsf/The-Mirror-lyrics-John-Frusciante/B369D2F9FCF2ED2A48256EC20026B018" target="_blank">letra</a> e <a href="http://grooveshark.com/#/s/The+Mirror/2g4J3T?src=5" target="_blank">áudio</a>) e &#8220;Like a Mirror&#8221; (<a href="http://www.sing365.com/music/lyric.nsf/Like-A-Mirror-lyrics-Morphine/2BE0E3D7917AA2E748256FC700084F1A" target="_blank">letra</a> e <a href="http://grooveshark.com/#/s/Like+A+Mirror/hCQHE?src=5" target="_blank">áudio</a>). Tudo isso porque deixei duas músicas entrarem, porque toda a beleza da solidão de &#8220;The Mirror&#8221; me foi/é uma mão no ombro e um soco de vida bem no meio do peito, e o sorrateiro de &#8220;Like a Mirror&#8221; é como o mundo inteiro à espreita, esperando a aceitação de um convite. As duas frases com “mirror” quiseram apertar as mãos dentro da minha cabeça, as mensagens que vi nas letras se entrelaçaram e, pelo visto, acionaram algo próximo a uma dúzia de furacõezinhos. Música consegue fazer cada coisa&#8230; Graças aos grãos-cristais que refletem, se projetam e se comunicam através dela. Feliz dia (ontem) do músico : )</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/raiosebombas.wordpress.com/326/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/raiosebombas.wordpress.com/326/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/raiosebombas.wordpress.com/326/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/raiosebombas.wordpress.com/326/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/raiosebombas.wordpress.com/326/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/raiosebombas.wordpress.com/326/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/raiosebombas.wordpress.com/326/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/raiosebombas.wordpress.com/326/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/raiosebombas.wordpress.com/326/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/raiosebombas.wordpress.com/326/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/raiosebombas.wordpress.com/326/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/raiosebombas.wordpress.com/326/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/raiosebombas.wordpress.com/326/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/raiosebombas.wordpress.com/326/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=raiosebombas.wordpress.com&amp;blog=12675888&amp;post=326&amp;subd=raiosebombas&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Trilogia dos Espelhos: conexão e solidão (parte I)</title>
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		<pubDate>Tue, 22 Nov 2011 16:55:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Laila Razzo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Percepções]]></category>
		<category><![CDATA[Comportamento Humano]]></category>

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		<description><![CDATA[Num desencadeamento de turbilhão mental muito feroz, se passa dias com a cabeça tão veloz e acesa que só dá pra recorrer à melhor forma de organizar a avalanche de raciocínio: escrevendo.  I – GRÃO SEM SACO Ela questiona os arredores como quem quer motivos pra todas as manchas da parede. “De onde surgiu o [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=raiosebombas.wordpress.com&amp;blog=12675888&amp;post=299&amp;subd=raiosebombas&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Num desencadeamento de turbilhão mental muito feroz, se passa dias com a cabeça tão veloz e acesa que só dá pra recorrer à melhor forma de organizar a avalanche de raciocínio: escrevendo.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong> I – GRÃO SEM SACO</strong></p>
<p style="text-align:justify;">Ela questiona os arredores como quem quer motivos pra todas as manchas da parede. “De onde surgiu o assobio ‘fiu-fiu’ e por que ele denomina elogio estético? E por que a etiqueta de ‘vulgar tolerável’? E por que vulgar? E por que tolerável? Vulgar pra quem? Tolerável pra quem?”. Uma pergunta inicial gera mais filhotes que moscas na cabeça inquieta dessa criatura. Ele, ele ri. Acha graça. A outra acha tudo uma idiodoidice, que diferença vai fazer saber de onde surgiu o “fiu-fiu”? E tem o terceiro que começa a se questionar também porque alguém, Ela, jogou a interrogação pra cima pra quem quisesse tentar alcançar.</p>
<p style="text-align:justify;">Ela sou eu. Mas também pode ser você. Ou quem sabe você não seja Ele ou A outra ou o Terceiro? Ou uma misturinha deles? Talvez não, mas, com certeza, você é algum personagem lendo isso aqui, com seus outros iguais em reação na mesma escarcela em prol da organização, ou melhor, no saco da farinha que você é grão igual aquele outro e aquele outro ali e mais alguns muitos. E isso não é ruim, não tô supondo que você não seja único de valor, nem nada disso. (Por que a beleza sempre se demonstra como equivalente do único?). Você deve reagir a respeito de algo igualzinho outras milhares de pessoas, e isso é bonito, sabe? Caso contrário, como você se acharia no mundo? Ou você gosta de se sentir perdido? Se sentir perdido e deslocado te dá um prazer masoquista disso significar ser diferente dos outros e logo ter mais valor? Pois esse prazerzinho estranho dá em quase todo mundo. Nem nisso você está sozinho e é o único. Ah, o prazer de se sentir só porque ninguém consegue te entender&#8230; A lâmina fria que tanto fere quanto causa arrepios de desfruto mas seria antiético, imoral, amoral, errado, contraditório – insira aqui palavras que não se pode ser pelo bem da coerência – admitir.</p>
<p style="text-align:justify;">Não é necessário se admitir a plenos pulmões pra todos os ouvidos disponíveis a completude de nuances da nossa natureza, mas tô num saco de grãos onde se acredita ser válido pensar a respeito. Algumas nuances são pra ser encaradas apenas como nuances, não como determinantes. Nunca deixe de se conectar com alguém com um vazio porque por trás daquele vazio há um prazerzinho singular de se ter o vazio. O vazio nos traz muitas respostas, muitas borbulhas que fazem pléc no ar quando se dissipam as bolhas, estalos que nos fazem ir atrás do que preenche o vazio ou de ao menos desejar o preenchimento. Ter o vazio é a fome. E a fome nos dá o singular prazerzinho da antecipação da gostosura. Eu gosto de ter fome, porque eu gosto de comer. E quem não prefere comer com fome ao invés de comer por comer? O prazer da fome é inconsciente, assim como o prazer de se sentir só e incompreendido, deslocado e perdido. É o prazerzinho da antecipação, da ansiedade, a adrenalina velada, do que vai acontecer quando passar, quando se achar, quando alguém perceber que o teu vazio é bonito, porque é. Porque te faz crescer, porque te faz desfrutar do cheio como ninguém (ou todos iguais a ti). O prazer do incompreendido solitário, do ser diferente por isso (sendo que não se é) é só porque quem sempre vive cheio não deve pensar muito em nada. A angústia da reflexão tem uma das belezas mais sutis e cegantes da natureza humana.</p>
<p style="text-align:justify;">(E somos criaturas tão estranhas que existem exemplares de nós que falseiam e dramatizam o só pra receber uma fácil mão estendida. Não se deixe levar por quem se faz de coitado o tempo todo. A carência dessa pessoa nunca será sanada por você, não importa o que você faça. Ela vai te consumir, consumir por inteiro, suas vontades não existirão mais, você se tornará um servo, um pescoço veiudo de estimação à disposição. Essa carência só poderá ser sanada por ela mesma, os outros podem auxiliar, mas é só um auxílio, não a solução. Alguns espécimes de nós se viciam no vazio porque o vazio é fácil, se sentir só é fácil, reclamar então&#8230;).</p>
<p style="text-align:justify;">Você reconhece um outro grão que pertence ao seu saco e somos divididos em sacos pra facilitar as coisas, os rótulos servem pra isso, os próprios adjetivos servem pra isso. Porém, na verdade, somos como a areia duma praia, de longe aparentamos grãos idênticos, de perto*:</p>

<a href='http://raiosebombas.wordpress.com/2011/11/22/trilogia-dos-espelhos-conexao-e-solidao-parte-i/graodeareiamicroscopio1/' title='graodeareiamicroscopio1'><img data-attachment-id='302' data-orig-size='750,520' data-liked='0'width="150" height="104" src="http://raiosebombas.files.wordpress.com/2011/11/graodeareiamicroscopio1.jpg?w=150&#038;h=104" class="attachment-thumbnail" alt="graodeareiamicroscopio1" title="graodeareiamicroscopio1" /></a>
<a href='http://raiosebombas.wordpress.com/2011/11/22/trilogia-dos-espelhos-conexao-e-solidao-parte-i/graodeareiamicroscopio4/' title='graodeareiamicroscopio4'><img data-attachment-id='305' data-orig-size='800,552' data-liked='0'width="150" height="103" src="http://raiosebombas.files.wordpress.com/2011/11/graodeareiamicroscopio4.jpg?w=150&#038;h=103" class="attachment-thumbnail" alt="graodeareiamicroscopio4" title="graodeareiamicroscopio4" /></a>
<a href='http://raiosebombas.wordpress.com/2011/11/22/trilogia-dos-espelhos-conexao-e-solidao-parte-i/graodeareiamicroscopio2/' title='graodeareiamicroscopio2'><img data-attachment-id='303' data-orig-size='800,560' data-liked='0'width="150" height="105" src="http://raiosebombas.files.wordpress.com/2011/11/graodeareiamicroscopio2.jpg?w=150&#038;h=105" class="attachment-thumbnail" alt="graodeareiamicroscopio2" title="graodeareiamicroscopio2" /></a>
<a href='http://raiosebombas.wordpress.com/2011/11/22/trilogia-dos-espelhos-conexao-e-solidao-parte-i/graodeareiamicroscopio6/' title='graodeareiamicroscopio6'><img data-attachment-id='301' data-orig-size='800,553' data-liked='0'width="150" height="103" src="http://raiosebombas.files.wordpress.com/2011/11/graodeareiamicroscopio6.jpg?w=150&#038;h=103" class="attachment-thumbnail" alt="graodeareiamicroscopio6" title="graodeareiamicroscopio6" /></a>
<a href='http://raiosebombas.wordpress.com/2011/11/22/trilogia-dos-espelhos-conexao-e-solidao-parte-i/graodeareiamicroscopio5/' title='graodeareiamicroscopio5'><img data-attachment-id='306' data-orig-size='800,553' data-liked='0'width="150" height="103" src="http://raiosebombas.files.wordpress.com/2011/11/graodeareiamicroscopio5.jpg?w=150&#038;h=103" class="attachment-thumbnail" alt="graodeareiamicroscopio5" title="graodeareiamicroscopio5" /></a>
<a href='http://raiosebombas.wordpress.com/2011/11/22/trilogia-dos-espelhos-conexao-e-solidao-parte-i/graodeareiamicroscopio3/' title='graodeareiamicroscopio3'><img data-attachment-id='304' data-orig-size='800,550' data-liked='0'width="150" height="103" src="http://raiosebombas.files.wordpress.com/2011/11/graodeareiamicroscopio3.jpg?w=150&#038;h=103" class="attachment-thumbnail" alt="graodeareiamicroscopio3" title="graodeareiamicroscopio3" /></a>

<p style="text-align:justify;">O que te faz único é o que conseguem ver quando querem ver, quando chegam perto o suficiente pra ver, mesmo de longe. Porque seu namorado pode ser um arquiteto, vestir camisetas divertidas, tocar bateria, ser na dele, ter de refeição predileta o Big Mac e ser viciado em cinema alemão, e a cada característica que eu fui listando, o grupo a que ele pertence foi diminuindo em quantidade, mas ainda assim, com essas características ele se mantém parte de um grupo. E o que difere? Dentro dos arquitetos, a inspiração dele são ondas e tentáculos de polvos e tudo que é marinho e quando ele tá desenvolvendo uma ideia, os pés dele não param quietos, como se estivesse a todo vapor num pedal duplo de bateria, que ele toca como um diabólico totem, erguendo as sobrancelhas e inflando as narinas, e costuma dizer “se eu não fosse baterista, eu seria pugilista, porque eu preciso bater em alguma coisa”. Mas ele é na dele, não mexe com ninguém, e é sempre muito calmo, exceto quando surta infantilmente de empolgação balançando os braços igual um robô insano, e reproduz em um alemão caricato e como um grito de guerra “<em>Als das Kind Kind war, ging es mit hängenden Armen!</em>” (Quando a criança era criança, andava balançando os braços), de um poema narrado em Asas do Desejo. Não é o fato de ele usar camisetas divertidas que significa que ele tenha inteligência pro humor, você sabe disso, ele é meio lerdo e não consegue entender as piadas que contam até que pare um pouco pra pensar. E para pra pensar com uma expressão de quem compreendeu tudo, mas ele dá aquela coçadinha na mão como se estivesse amaciando a têmpora, no estilo estímulo físico pras engrenagens mentais rodarem. Ah, e ele é vegetariano, mas todo sábado come McDonald’s porque “minhocas tem é que morrer por estragarem as minhas plantas gostosas”. Você acha graça tanto da incoerência quanto da desculpa cômica.</p>
<p style="text-align:justify;">Ele não seria único pra você se sua percepção não quisesse que ele fosse, se de repente o que o rodeia alegoricamente e o que o preenche não sussurrasse seu nome. Feromônios, química, admiração, instigação curiosa, identificação, encaixe, sei lá. Você só é único pra alguém se o alguém assim lhe fizer. E, certamente, você quer pessoas por perto que possa enxergar além dos olhos.</p>
<p style="text-align:justify;">Contente-se com sua circunstância de grão como os outros. Delicie-se e viva quando se transformar num cristal pra alguém que também cintila pra você. É como quando suas duas pupilas encontram diretamente outras duas pupilas em êxtase, até que isso aconteça vocês só se olham&#8230; Mas aí, vocês vem a se enxergar, talvez, e o brilho nos olhos é meramente inevitável.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas o vazio não acaba aí, a vida só se torna mais&#8230; confortável. E bonita.</p>
<p style="text-align:justify;">Somos, em essência, grãos sem saco, na solidão. E somos grãos sem saco, em perspectiva e objetivo, de sermos únicos. E, ser único não deixa de ser solitário. Entende?</p>
<blockquote><p><em>“Loneliness is the human condition. Cultivate it. The way it tunnels into you allows your soul room to grow. Never expect to outgrow loneliness. Never hope to find people who will understand you, someone to fill that space. An intelligent, sensitive person is the exception, the very great exception. If you expect to find people who will understand you, you will grow murderous with disappointment. The best you’ll ever do is to understand yourself, know what it is that you want (…)”.  </em><strong>—</strong> Janet Fitch, &#8220;White Oleander&#8221;**</p></blockquote>
<p style="text-align:justify;">Simplesmente não ligue pra solidão, se beneficie dela, e pode ter certeza que a vida dá um jeito de revelar os cristais.</p>
<p><span style="color:#888888;">*Microfotografias de grãos de areia. Fonte: <a title="http://sandgrains.com/index.html" href="http://sandgrains.com/index.html" target="_blank">sandgrains.com/index.html</a></span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#808080;">**Nunca li, não sei nada a respeito, mas essa citação apareceu coincidentemente na minha fuça navegando à deriva pedindo pra ser encaixada na mensagem final.</span></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/raiosebombas.wordpress.com/299/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/raiosebombas.wordpress.com/299/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/raiosebombas.wordpress.com/299/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/raiosebombas.wordpress.com/299/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/raiosebombas.wordpress.com/299/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/raiosebombas.wordpress.com/299/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/raiosebombas.wordpress.com/299/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/raiosebombas.wordpress.com/299/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/raiosebombas.wordpress.com/299/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/raiosebombas.wordpress.com/299/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/raiosebombas.wordpress.com/299/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/raiosebombas.wordpress.com/299/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/raiosebombas.wordpress.com/299/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/raiosebombas.wordpress.com/299/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=raiosebombas.wordpress.com&amp;blog=12675888&amp;post=299&amp;subd=raiosebombas&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Uma Criança Danada</title>
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		<pubDate>Wed, 02 Nov 2011 22:54:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Laila Razzo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Homenagem]]></category>
		<category><![CDATA[Percepções]]></category>

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		<description><![CDATA[Dói, dilacera, troca os órgãos de lugar, o coração vira intestino. Inacreditável, completamente inacreditável o que um segundo tem a capacidade de fazer: vida, um segundo, morte. É sempre vista como uma visita que se delicia com a crueldade do de repente ou com o requinte do sadismo vagaroso. Mas ela não é uma visita. [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=raiosebombas.wordpress.com&amp;blog=12675888&amp;post=291&amp;subd=raiosebombas&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Dói, dilacera, troca os órgãos de lugar, o coração vira intestino. Inacreditável, completamente inacreditável o que um segundo tem a capacidade de fazer: vida, um segundo, morte.</p>
<p style="text-align:justify;">É sempre vista como uma visita que se delicia com a crueldade do de repente ou com o requinte do sadismo vagaroso. Mas ela não é uma visita. Ela nunca é uma visita. Tá ali deitada na minha cama lendo uma revistinha da turma da Mônica e gargalhando, tá sentada aí à tua esquerda no chão rodando um cubo de Rubrik, tá dentro do carro com o cinto bem apertado no banco de trás, tá “de macaquinho” nas costas da tua mãe enquanto ela cozinha cantarolando, tá cutucando teu ombro ou costelas de maneira irritante em diversos momentos do ano. E cada um tem a sua Morte, entende?</p>
<p style="text-align:justify;">Ela é uma das duas presenças permanentes nas nossas vidas, e ela vive brincando, e brinca pesado. Pra isso que se tem a babá da Morte, a outra presença permanente. E a babá trabalha, trabalha duro, e muito pouco se dá os créditos e valor pro tanto que ela tem que aturar dessa criança danada, e olha, é coisa que nem no circo se vê de tanta habilidade, e coisa que a nossa psicologia não explica. A única coisa que se sabe é que essa criança passa dos limites na traquinagem inescrupulosa. Não culpe a babá, eu já disse: a Morte brinca pesado, PESADO. Ela é aquele tipo de criança taxada como sem solução, encapetada, que vive correndo esbaforida, que só mexe onde não deve, que adora estripulia. Pode parecer que ela tenha prazer em machucar, desnortear, cheia de intenções maléficas, mas não. A verdade é que ela só acha tudo muito engraçado e se diverte ingenuamente testando tudo ao redor. Por isso dizem que não é bom brincar com a Morte, não é bom se deixar levar pelas súplicas, pelas insistências incansáveis de fedelha mimada, porque ela não tem o menor senso, doidinha, a bichinha. Ela adora brincar com as palavras e sussurrar em ouvidos, adora lugares cheios de movimento e coisas que se deslocam com velocidade, adora novas ideias mirabolantes. Mas, se o tempo voar, ela pode chegar ao dia que se torna mais obediente, mais tranquila, como se cansasse, fazendo a babá uma entidade obsoleta. E quando isso acontece, ela beija carinhosamente tua pele bagunçada feito lençol de cama de noite mal dormida, pela primeira e última vez. E a babá deixa, com uma lágrima de emoção pela raridade da cena, pela sensação de excelência de seu serviço.</p>
<p style="text-align:justify;">O papel da Morte é nos lembrar que tudo pode dar errado de repente. É ela que nos faz querer momentos de felicidade sem fôlego, estar com os amigos em um quarto escuro tocando no íntimo dos sonhos individuais em assunto, mergulhar nas sensações da mixagem sonora de uma faixa tal, encontrar uma parceria pra dividir e consumir juntos pensamentos e corpo, se divertir jogando bola ou peteca e querer se sentir vencendo, vencer, ou talvez ser vencido por um impulso de alma livre. É a Morte que nos lembra de olhar com mais atenção o céu, o voo de uma ave, o cachorro preguiçoso no tapete, uma plantinha mais frenética que as outras pelo vento, as pessoas cada qual na sua maneira, cada qual com seus acessórios, passando&#8230; É ela, a Morte, que faz a gente dar um beijo inesperado cheio de lábios na avó, que nos faz usar o nariz pra se preencher inteiro da essência da pele de alguém, que nos faz gostar da dorzinha nos músculos da face de tanto dar gargalhada.</p>
<p style="text-align:justify;">Hoje, eu celebro a vida em toda coisa que tem vida, e tudo que tem vida tem uma Morte e uma babá. Entre nós, humanos, somos 7 bilhões, com 7 bilhões de Mortes e 7 bilhões de babás. Nos influenciamos, nossas babás trocam dicas e nossas Mortes de vez em quando brincam juntas.</p>
<p style="text-align:justify;">Hoje, eu celebro a minha vida, eu celebro a sua, eu celebro a vida dos que conheci e um dia a tiveram na mão, celebro que tenhamos nos conhecido e tenhamos trocado boas energias só sorrindo um para o outro, celebro a vida de quem não conheci também, mas tenha te dado carinho e tenha contribuído pra beleza que tu tens no peito, a beleza que tu trazes pra minha vida, pra vida de quem te rodeia.</p>
<p style="text-align:justify;">Hoje, a celebração é pra existência da Morte, com sua babá, que vive na nossa cola e que é só uma criança danada, mas que nos faz perceber e ater uma sabedoria que só uma criança consegue: o genuíno, o que realmente importa, a sabedoria do desfruto da felicidade no pouco, a transcendência dos segundos, a vida pulsando no vazio.</p>
<p style="text-align:justify;">Só a Morte é capaz de proporcionar isso, então Feliz dia das Mortes. E muito, muito obrigada, babá(s).</p>
<p style="text-align:center;"><a href="http://fc00.deviantart.net/images3/i/2004/135/7/0/Death.jpg"><img class="aligncenter" src="http://fc00.deviantart.net/images3/i/2004/135/7/0/Death.jpg" alt="" width="721" height="570" /></a><a href="http://fc00.deviantart.net/images3/i/2004/135/7/0/Death.jpg"><br />
</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/raiosebombas.wordpress.com/291/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/raiosebombas.wordpress.com/291/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/raiosebombas.wordpress.com/291/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/raiosebombas.wordpress.com/291/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/raiosebombas.wordpress.com/291/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/raiosebombas.wordpress.com/291/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/raiosebombas.wordpress.com/291/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/raiosebombas.wordpress.com/291/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/raiosebombas.wordpress.com/291/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/raiosebombas.wordpress.com/291/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/raiosebombas.wordpress.com/291/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/raiosebombas.wordpress.com/291/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/raiosebombas.wordpress.com/291/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/raiosebombas.wordpress.com/291/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=raiosebombas.wordpress.com&amp;blog=12675888&amp;post=291&amp;subd=raiosebombas&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">lrazzo</media:title>
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	</item>
		<item>
		<title>Poesia de Sucrilhos</title>
		<link>http://raiosebombas.wordpress.com/2011/10/10/poesia-de-sucrilhos/</link>
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		<pubDate>Mon, 10 Oct 2011 12:29:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Laila Razzo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Percepções]]></category>
		<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[Arte]]></category>

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		<description><![CDATA[Quem ama poesia e não vê poesia em nada não ama poesia. Eu não amo poesia, eu não compro livros de poesia, eu não passo tempo algum lendo poesias daquelas dos poetas e não devo conseguir citar mais de meio profissional do ramo. E sabe o que mais? Eu odeio as técnicas de poesia, assim [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=raiosebombas.wordpress.com&amp;blog=12675888&amp;post=231&amp;subd=raiosebombas&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Quem ama poesia e não vê poesia em nada não ama poesia. Eu não amo poesia, eu não compro livros de poesia, eu não passo tempo algum lendo poesias daquelas dos poetas e não devo conseguir citar mais de meio profissional do ramo. E sabe o que mais? Eu odeio as técnicas de poesia, assim como eu detesto as técnicas de pintura, assim como eu tenho asco às técnicas vocais, assim como eu me enojo com a técnica de tudo. Enjaula, tranca e torna a beleza da liberdade artística uma sucessão de passos seguidos, treinados e em completude dá a muitos dito cujos o posto de artista que não condiz com sua alma, coração ou tripas.</p>
<p style="text-align:justify;">Antes que eu pareça de uma falta de senso faraônico e insana, não, na verdade eu não odeio, não detesto, não tenho asco, não me enoja, a técnica de tudo. E sim a técnica isolada de tudo, daquele tudo compulsório quando se trata de arte. Um conjunto de palavras seguindo uma estética pré-estabelecida sem nenhuma emoção real, sem nenhum impulso vital ou moribundo criativo que seja, é só um poema, é só um formato. Genial sempre vai ser aquele que dentro de uma estética vai colocar tanto do inimaginável ou de si ou persona obscura pescada duma espiral interior, que vai causar uma explosão dentro dos limites da caixa. Genial também vai ser aquele que explode a caixa junto e deixa a estética tracejar espontaneamente como uma serpente drogada. Cada um com seu mérito, sem ranking.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas, o que eu queria dizer mesmo é que quem ama poesia e não vê poesia em nada com certeza é uma criatura muito desligada da verdadeira poesia, que está oficialmente localizada em basicamente tudo. E como eu mencionei, eu realmente não amo essa poesia que gente que gosta de poesia conhece os poetas e pira na relva do cálice da ninfa de tecido de pétalas de <em>Disa</em> e num sei das quantas, mas eu sou tão babaca que eu consigo ver poesia numa cumbuca de sucrilhos se, sei lá, os floquinhos estiverem muito charmosos com aquele açúcar todo cintilando e dando olá para a bela manhã chegando e me alegre como uma brisa de verão. E quem sabe eu chore com tamanha emoção. Eu disse que eu era babaca, não há porquê duvidar, eu mesma não duvido de nada que esses olhos hão de desaguar nessas bochechas que já não se surpreendem.</p>
<p style="text-align:justify;">Daí, eu que não sou da leitura de poesia, hoje tive uma vontade arrebatadora de jogar um nome dum poeta bem famoso no nosso adorado Google: Pablo Neruda. Não sei nada do malandro, não li mais de 30 linhas de palavras, mas eis que nessa ligeira lida me deparei com algo que me trouxe a uma opinião e pensamento recorrente, nos parágrafos finais &#8211; já já vocês chegam lá. Por enquanto, leiam o algo, o belo algo, que é bem capaz de ser super batido e existir em correntes de email do final de 90, mas é belo e a língua deixa mais ainda:<span id="more-231"></span></p>
<p style="text-align:justify;">No te amo como si fueras rosa de sal, topacio<br />
o flecha de claveles que propagan el fuego:<br />
te amo como se aman ciertas cosas oscuras,<br />
<strong>secretamente, entre la sombra y el alma.</strong></p>
<p style="text-align:justify;">Te amo como la planta que no florece y lleva<br />
dentro de sí, escondida, la luz de aquellas flores,<br />
y gracias a tu amor vive oscuro en mi cuerpo<br />
el apretado aroma que ascendió de la tierra.</p>
<p style="text-align:justify;">Te amo sin saber cómo, ni cuándo, ni de dónde,<br />
te amo directamente sin problemas ni orgullo:<br />
así te amo porque no sé amar de otra manera,</p>
<p style="text-align:justify;">sino así de este modo en que no soy ni eres,<br />
tan cerca que tu mano sobre mi pecho es mía,<br />
tan cerca que se cierran tus ojos con mi sueño.</p>
<p style="text-align:justify;">Agora o final: a poesia sempre vai estar onde e em como as identidades se expressam. Um “E eu vos direi: ‘Amai para entendê-las! Pois só quem ama pode ter ouvido. Capaz de ouvir e de entender estrelas’” de Bilac não é melhor que um rabisco de um mendigo na parede da saída dum túnel que diz “Vocês tudo tem dinhero pra sobrar pro fiu dental e pro dentista depois de não uzar o fiu dental e me olham feio por causo da feiura do meu sorrizo mas pelo meno eu nao to puto com esse transito”. A expressão das realidades e das irrealidades e das surrealidades das identidades sempre serão pura poesia. Na palavra, no traço, na melodia, no ritmo, no timbre, na pincelada, na forma, na organização, na intenção, na, na, na etc.</p>
<p style="text-align:justify;">No final de las cuentas, não existem tantas emoções e tantos sentimentos assim pra se experienciar. Estamos mais conectados uns aos outros do que lembramos, nos identificamos com coisas que milhares, milhões, estão conosco, existe um ponto de encontro, e por isso também grupos de encontro. Em comparação, as formas de expressá-los são aparentemente infinitas. Cada um interpretando e vendo do seu jeitinho todo especial, se caso o faça por si e se desapegue um pouco da maneira que outros procuraram traduzir. Sempre só basta a poesia estar no olhar e, se estiver, as explosões ocorrerão, e o mundo se recheará de tal forma que talvez você ache que eu não sou tão babaca assim.</p>
<p style="text-align:justify;">ps: Usei de trilha um cara que pra mim é um poeta, meu queridíssimo John Frusciante. Terminando esse post com ele e o Josh Klinghoffer: <a href="http://grooveshark.com/#/s/Surrogate+People/3JOGq5?src=5">Surrogate People</a>. Apreciem, quem sabe.</p>
<p style="text-align:justify;">ps2:</p>
<div id="attachment_232" class="wp-caption aligncenter" style="width: 610px"><a href="http://raiosebombas.files.wordpress.com/2011/10/sucrilhos.jpg"><img class="size-full wp-image-232" title="poesiadesucrilhos" src="http://raiosebombas.files.wordpress.com/2011/10/sucrilhos.jpg?w=600&#038;h=402" alt="" width="600" height="402" /></a><p class="wp-caption-text">Não resisti. Com farelinhos de nescau <img src='http://s0.wp.com/wp-includes/images/smilies/icon_biggrin.gif' alt=':D' class='wp-smiley' /> </p></div>
<p>&nbsp;</p>
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<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/raiosebombas.wordpress.com/231/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/raiosebombas.wordpress.com/231/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/raiosebombas.wordpress.com/231/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/raiosebombas.wordpress.com/231/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/raiosebombas.wordpress.com/231/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/raiosebombas.wordpress.com/231/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/raiosebombas.wordpress.com/231/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/raiosebombas.wordpress.com/231/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/raiosebombas.wordpress.com/231/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/raiosebombas.wordpress.com/231/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/raiosebombas.wordpress.com/231/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/raiosebombas.wordpress.com/231/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/raiosebombas.wordpress.com/231/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/raiosebombas.wordpress.com/231/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=raiosebombas.wordpress.com&amp;blog=12675888&amp;post=231&amp;subd=raiosebombas&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Eu adoro os homens</title>
		<link>http://raiosebombas.wordpress.com/2011/09/30/eu-adoro-os-homens/</link>
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		<pubDate>Fri, 30 Sep 2011 13:52:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Laila Razzo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Percepções]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu adoro os homens. Adoro ter amigos homens, adoro a companhia masculina. Adoro até quando esquecem que sou uma mulher e me dão um soco no braço. E posso me irritar quando de repente lembram da dama na mesa e resolvem se desculpar desnecessariamente cheios de pesar e falsa educação por um arroto, ou uma [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=raiosebombas.wordpress.com&amp;blog=12675888&amp;post=224&amp;subd=raiosebombas&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Eu adoro os homens. Adoro ter amigos homens, adoro a companhia masculina. Adoro até quando esquecem que sou uma mulher e me dão um soco no braço. E posso me irritar quando de repente lembram da dama na mesa e resolvem se desculpar desnecessariamente cheios de pesar e falsa educação por um arroto, ou uma flatulência escapulida, ou uma afirmativa muito dura e animalesca.</p>
<p style="text-align:justify;">Adoro a simplicidade e objetividade masculina. E adoro até como não veem necessidade de muitas palavras pra explicar o que se conceitua muito bem com uma só ou um punhadinho delas &#8211; pra quê um texto?</p>
<p style="text-align:justify;">Adoro o humor masculino, imoral e amoral. Adoro a liberdade de se chamarem calorosamente de viados, cornos e sacanas. Adoro o grode dos amigos cheio de falatório de desmedida putaria e não existir julgamentos pelo simples fato de gostarem de sexo e de mulher. Adoro o fato de mesmo homens, nunca deixarem de ser meninos dispostos a brincar. Adoro o fato de terem medo de segurar um recém-nascido. Adoro que se controlem pra se fazerem fontes de segurança, mesmo também desmoronando, por dentro. Adoro a virilidade, adoro a sede de vitória, adoro a selva que grita no olhar dessas criaturas.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas adoro-os mais ainda quando não são personagens da macheza e do machismo. Adoro que sejam humanos. Humanos macho. Assim como adoro humanos fêmea e tenho aversão à caricaturas femininas ambulantes.</p>
<p style="text-align:justify;">Adoro que homens sejam cordiais e educados. Adoro homens de sensibilidade e bom senso. Adoro mais ainda quando se propõem e tentam entender o que é ser mulher. E como não adorar quando conseguem?</p>
<p style="text-align:justify;">Adoro quando não tem medo de desabar vez ou outra. De demonstrar insegurança, fraqueza, dúvida, vez ou outra. Quando se esforçam pra expressar de maneiras distintas o quanto e como ama, ou melhor ainda: quando simplesmente o fazem &#8211; e isso pode ser observado e sentido até por não comerem aquele último pedaço de bolo delicioso que a mãe, você ou eu amamos, apesar de ter feito o caminho de volta do trabalho pra casa com a boca encharcada só pensando nele.</p>
<p style="text-align:justify;">Adoro quando gritam grosso e quando dão gargalhadas finas de ausência de fôlego. Adoro quando tem palavra, adoro quando tem objetivos, e também adoro quando de repente mandam tudo se foder e dançam e pulam e se demonstram vulneráveis só por expressar o que é visto como euforia feminina. Adoro quando se desprendem, adoro que sejam palpáveis, próximos, compreensíveis. Humanos.</p>
<p style="text-align:justify;">Homens estão acostumados a achar que mulheres são incompreensíveis e malucas, e as mulheres estão acostumadas a vestir esse figurino. Não somos nem de longe essa charada toda. Nós só estamos há um bom tempo aí com as anteninhas ligadas recebendo sinais inimagináveis de tudo ao nosso redor. Coletamos muito, sentimos muito e muitas vezes somos impulsivas em expressar tudo ou quase tudo, e expressar tanto pode não ser exatamente organizado e acabar aparentando uma confusão. Daí as horas de monólogo em crise, tornando impossível não evoluir o discurso e atingir assuntos satélite que pra gente faz todo o sentido. E eu sei que isso causa em vocês, homens, uma extrema dificuldade de foco, porque quando escutam querem tentar solucionar. E de repente: &#8220;afinal, é pra solucionar o quê, mulher louca?!&#8221;. Geralmente é só pra ouvir, desenvolver o assunto conosco e nos abraçar depois. Aí a gente pode acreditar que tudo vai ficar bem e que realmente se importam.</p>
<p style="text-align:justify;">As confusões masculinas ficam incubadas, presas, como suas lágrimas, só liberadas em morte e vitória e/ou derrota do time do peito esquerdo, e ainda assim nem sempre. A solução delas é individual, ou se deixa o tempo passar, não é mesmo? Vocês homens foram educados pra segurar o tranco e por isso são usualmente mais pacientes. Tão pacientes às vezes que vira comodidade e de repente PÓF! Passou. Uma hora tudo passa. E quando não passa vocês explodem uma bomba.<br />
O que eu acho incompreensível e injusto é tanta prisão, tanta proteção e tanto vício de orgulho.</p>
<p style="text-align:justify;">É preciso ter coragem pra ser humano, homem. Então coragem! É digno de pena aquele que nunca sabe o que é se deixar levar pela euforia, que nunca consiga dizer &#8220;tô me tremendo de ansiedade&#8221;, que não saiba nem queira a falta de ar de se estar apaixonado, que não dê um abração naquele amigo que não vê faz tempo, que nunca demonstre admiração e carinho por quem se quer bem.</p>
<p style="text-align:justify;">Não, não adianta muito seu carinho só ser destinado ao seu gato, cachorro, papagaio ou peixe, sua sensibilidade só ser direcionada a filmes, música e livros. Não adianta todos esses ídolos incríveis que você tem, não adianta você saber argumentar, não adianta seu senso de estética só estar atrelado a saber admirar um belo edifício quando sua mulher merece um elogio toda semana e que você deixe claro mais uma vez, e outra, e mais outra, e pra sempre, que ela é um tesão. Não adianta reclamar da vida de casado porque é uma chatice sem fim e você não faz nada pra que não seja. Adianta menos ainda reclamar da falta de vida na vida quando a vida é viver e você se prende a uma constante preocupação com o que os outros vão dizer, com o respeito que você quer ter. As pessoas sempre vão dizer alguma coisa. Quem é forte e sabe quem é faz e anda com suas próprias pernas de acordo com suas próprias palavras e não vai ter santo, nem demônio, muito menos um cidadão afim, que vá te tirar da tua razão e direito de ser razoável, racional e emocional. A força que se passa em ser sempre contido, reservado e orgulhoso é falsa, tá mais pra covardia e falta de colhões. E cá entre nós, não há nada mais respeitável do que ser verdadeiro.</p>
<p style="text-align:justify;">Eu adoro os homens, de verdade. Mas nem chega perto do tanto que eu adoro os homens de verdade.</p>
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<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/raiosebombas.wordpress.com/224/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/raiosebombas.wordpress.com/224/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/raiosebombas.wordpress.com/224/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/raiosebombas.wordpress.com/224/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/raiosebombas.wordpress.com/224/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/raiosebombas.wordpress.com/224/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/raiosebombas.wordpress.com/224/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/raiosebombas.wordpress.com/224/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/raiosebombas.wordpress.com/224/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/raiosebombas.wordpress.com/224/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/raiosebombas.wordpress.com/224/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/raiosebombas.wordpress.com/224/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/raiosebombas.wordpress.com/224/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/raiosebombas.wordpress.com/224/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=raiosebombas.wordpress.com&amp;blog=12675888&amp;post=224&amp;subd=raiosebombas&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>7 Meses e Algumas Horas de Paixão</title>
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		<pubDate>Thu, 12 May 2011 21:23:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Laila Razzo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Rock n' Roll]]></category>

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		<description><![CDATA[Não faz nem 1 ano que eu me apaixonei pelo Avenged Sevenfold, são exatos sete meses e algumas horas. Foi como qualquer outra paixão de primeira, assustador e surpreendente. E não vejo como ou porquê ser apaixonado por algo por mais ou menos tempo muda alguma coisa, principalmente quando o assunto é música. Sentir um [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=raiosebombas.wordpress.com&amp;blog=12675888&amp;post=214&amp;subd=raiosebombas&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Não faz nem 1 ano que eu me apaixonei pelo Avenged Sevenfold, são exatos sete meses e algumas horas. Foi como qualquer outra paixão de primeira, assustador e surpreendente. E não vejo como ou porquê ser apaixonado por algo por mais ou menos tempo muda alguma coisa, principalmente quando o assunto é música. Sentir um som que te percorre as mais labirínticas entranhas é avassalador, te encontra, fala por ti e te modifica de alguma forma, não tem como apagar nem diminuir, e só um cérebro pouco desenvolvido pra ter rancor dos criadores e menosprezar o que antes foi feito no número perfeito pra tua alma vestir por terem mudado algo no som.</p>
<p style="text-align:justify;">Falo isso por ver tanta gente revoltada com a mudança do som dos caras, revoltados ao ponto de serem &#8220;A7X for life&#8221; e de repente &#8220;A7X agora é baladinha de merda&#8221;, o que não é o mesmo do simples &#8220;preferir antes&#8221;. Não vou me estender, não tem muito o que comentar sobre isso, só acho babaca ser fã alucinado de uma coisa e de repente defecar em cima. Ainda mais relacionado a algo que não perdeu a sua essência. Não compreendo o amor desligado da admiração pela essência.</p>
<p style="text-align:justify;">A música do Avenged Sevenfold representa tão bem a minha necessidade de externar a minha agressividade mesclada com uma beleza sonora tão impactante, que nem sei dizer, é simplesmente minha tempestade junto com minha calmaria. É forte e grande assim.</p>
<p style="text-align:justify;">Pra melhorar tudo, a banda tem um carisma de acessibilidade e transparência tão expressivo por como se comunicam com o público através de atualizações em vídeos e texto, que não tem como não se identificar e não vê-los como só um grupo de amigos fazendo um som porque gostam daquilo. Nada mais humano, próximo e real.  O que se potencializou com a morte do The Rev e a conduta da banda ao lidar com isso. Mesmo no palco, não se vê nada teatral como um Gene Simmons demoníaco ou um Angus Young duck-walking-lips-deforming, não existe um elemento superior de icone nos integrantes, não existe algo absurdamente característico a não ser pra quem goste e perceba, até porque eles não são necessariamente elétricos, extravagantes ou excêntricos assim. Avenged Sevenfold pra mim é algo tão carne e osso e ao mesmo tempo tão lindo que se faz uma mistura engraçada.</p>
<p style="text-align:justify;">Pra mim, o Avenged Sevenfold é um dos exemplos atuais que o rock e o heavy metal não estão enterrados e fadados ao esquecimento, e quem quiser me falar que não haverá outro AC/DC, outro Led Zeppelin ou outro Metallica etc etc,  hold! Eu tenho algo a dizer em um futuro post. Por enquanto, fiquem com um pouquinho de Avenged Sevenfold:</p>
<span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://raiosebombas.wordpress.com/2011/05/12/7-meses-e-algumas-horas-de-paixao/"><img src="http://img.youtube.com/vi/A7ry4cx6HfY/2.jpg" alt="" /></a></span>
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		<title>Tudo é ingrediente pro mesmo suculento suco</title>
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		<pubDate>Mon, 21 Mar 2011 14:34:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Laila Razzo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Percepções]]></category>

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		<description><![CDATA[Uma coisa é certa: se vai viver achando que não se sabia das coisas direito &#8220;anos atrás&#8221;. E por incrível que pareça isso é bom. Não é? Tem gente que pensa que fazer tudo de novo igualzinho é uma coisa bonita de se dizer porque demonstra um comportamento constante e linear, logo confiável. Que os [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=raiosebombas.wordpress.com&amp;blog=12675888&amp;post=207&amp;subd=raiosebombas&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Uma coisa é certa: se vai viver achando que não se sabia das coisas direito &#8220;anos atrás&#8221;. E por incrível que pareça isso é bom. Não é?</p>
<p style="text-align:justify;">Tem gente que pensa que fazer tudo de novo igualzinho é uma coisa bonita de se dizer porque demonstra um comportamento constante e linear, logo confiável. Que os queridos intocáveis exemplos humanóides me perdoem: isso não é tão bonito assim.</p>
<p style="text-align:justify;">Sim, provavelmente se faria tudo de novo com a experiência e mentalidade que você ostentava, ava. A coisa fica mais apresentável nesse tempo do verbo.</p>
<p style="text-align:justify;">Falar que faria diferente é também uma grande burrice. Você não faria. Você fez suas escolhas. E quão momentâneas são a maioria das escolhas? Depois é só arcar com as consequências, internas e externas, wishing well.</p>
<p style="text-align:justify;">Quem pretende viver de acordo com um manual pronto vai sempre quebrar a cara, porque ainda nada viveu. É preciso se conhecer muito mais do que se imagina pra se encaixar em uma conduta correta pra você mesmo. Significado: você mesmo cria seu próprio manual, baseado em você. E é claro, ele se desenvolve com você, naquele estilinho prole do Marcelo D2 e o próprio. E que bom que você passa um bom tempo da vida só se deixando influenciar, criando uma base, a sua infância. Sempre volte nela pra buscar respostas, mesmo que pareça ridículo, muitas delas estão lá. Pobre do adulto que chutou seu adolescente e sua criança do banco de trás no meio da estrada. Não existe sabedoria se não se consegue aprender constantemente com essas partes do ser e do ter sido.</p>
<p style="text-align:justify;">Todo mundo já teve alguém mais velho dizendo &#8220;eu já tive a tua idade&#8230;&#8221;. E todo mundo concorda que isso é um porre. Só que não era (necessariamente &#8211; já que tem gente idiota pra tudo) por menosprezo ao que você vivia, era só a única coisa que podia se falar pra tentar sua confiança, mesmo que cada caso seja um caso e que seja meio inútil tentar abrir os olhos de alguém mais novo com tanta pompa de experiência. Não é à toa que os sábios eram os anciãos.</p>
<p style="text-align:justify;">Falhas são cometidas, i-n-e-v-i-t-á-v-e-l. As falhas mais complexas são aquelas cometidas no aspecto &#8220;magoar alguém&#8221;. Tem gente que nem entende porque magoou, isso é uma questão individual ou simplesmente sonsidão (essa palavra existe?). Tem gente que esconde e nada sente a respeito, afinal, o problema é só magoar a pessoa, né? Então se finge que nunca aconteceu e tá tudo numa nice. Se é uma falha, deveria ter doído um pouco na própria pele&#8230; Engraçado quando nada dói na própria pele, nem um pouco, mas não se quer, nem se espera, e ainda por cima se decepcionaria, com o mesmo tipo de atitude do outro. Não vejo sentido. Ou é uma falha ou não é. E uma falha nunca vai ser uma coisa ruim só pra outra pessoa e não você. Se não lhe dói algo que fez, que na visão de outros é um erro, não é um erro pra você, e não se tem tanto problema nisso, só uma incompatibilidade. É simples, não é? Agora, por favor, se você ficasse magoado se colocando na situação da outra pessoa é porque tem um princípio bem aí, um valor, que pelo visto você acredita, e sentir uma coisa podre dentro de si era pra ser automático. Se não, vamos reavaliar esses valores, essa conduta e seu discursinho porque tá incoerente e isso <a href="http://www.amigatoubonita.blogspot.com">não é bonito, amigo</a>.</p>
<p style="text-align:justify;">No final de las cuentas: que se falha, se falha. Mas, falhas e acertos não foram feitos pra ficarem dos lados opostos do tabuleiro nesse joguinho da vida não. Foram feitos pra serem batidos no liquidificador e se colocar num copo e se beber. E, se o cosmos, seu intelecto e sua maturidade permitirem, sentir o melhor gosto do mundo: você.</p>
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